Cheguei à cidade no dia 11 de Fevereiro de 1964, às vésperas da Revolução, tinha 30 contos (não lembro a moeda) no bolso. Mal sabia o tamanho desta cidade, mas, a vontade de crescer fez de mim um grande homem. Hoje, 47 anos depois, consegui ter três filhas e quatro netos. Não tive tempo (falta de dinheiro) para estudar, mas formei todas as minhas filhas.<br><br>Naquela época podíamos ir de CMTC da Praça do Correio até o Parque do Ibirapuera aos sábados e domingos para jogar bola e paquerar. Podíamos também andar de bonde na Rua Augusta, ou simplesmente assistir a um filme no Cine Guarujá, na Avenida Santo Amaro. Tudo isso era feito de ônibus, e garanto, era muito bom andar de ônibus em São Paulo. <br><br>Nos finais de semana, várias pessoas se encontravam no Largo do Arouche, mais precisamente no “Pingão”, um bar muito bom e cheio de pessoas bonitas e alegres. Dividíamos um chope ouvindo um samba do Gilson de Souza:<br>-"Poxa como foi bacana te encontrar de novo…".<br><br>Hoje tive a oportunidade de relembrar os momentos maravilhosos que a cidade de São Paulo sempre me deu de presente. Quem não se lembra da Terra da Garoa, onde todo dia saíamos com um guarda-chuva na mão já sabendo que sempre garoava e fazia um pouquinho de frio?<br><br>Ainda assim era lindo andar pelas ruas da cidade, Rua Boa Vista (centro financeiro) Rua 25 de Março, ruas Paula Souza e Senador Queiróz. Também era sensacional visitar o Mercado Municipal, um espetáculo de beleza e diversão, principalmente nas madrugadas, quando os caminhões chegavam carregados de frutas e outras especiarias, com todos os carregadores cantando alegres às 4h00 da manhã.<br><br>Outro lugar fantástico para tomar uma sopa quentinha era o Ceagesp, ou simplesmente Ceasa, frequentado pela alta sociedade nas madrugadas e por nós pobres, quando tínhamos dinheiro no bolso para pagar a conta. Portanto, este espaço é muito pequeno para agradecer São Paulo por tudo que consegui, mas, fiquei muito feliz em encontrar uma oportunidade de dizer:<br>- “Obrigado São Paulo por deixar-me viver nesta cidade maravilhosa e apaixonante”.<br><br>Hoje conheço muitos países e cidades fantásticas pelo mundo, mas igual a São Paulo não tem em lugar nenhum do mundo, pois fico quinze dias viajando e logo estou louco para voltar a minha cidade.<br><br>Quase me esqueci de dizer que, naquela época, podíamos andar a qualquer hora da noite sem problemas, ou seja, até completar meus 30 anos de idade, nunca fui assaltado, mas de uns tempos para cá já fui assaltado umas oito vezes. Mesmo assim, amo São Paulo, minha cidade querida, sem a qual não consigo viver. Mais uma vez, muito obrigado São Paulo.<br><br>E-mail: [email protected]<br>