Procuro ler sempre os novos textos publicados neste canal e sempre leio relatos divertidos e também algumas histórias emocionantes dos colegas deste site.<br><br>Em uma das histórias lidas recentemente havia a descrição da casa de uma avó, o que me fez viajar em pensamentos até a casa da minha avó Belarmina.<br><br>Era um grande sobrado, erguido em um grande terreno, bem no centro de Santo Amaro, localizado entre as ruas Delmiro Sampaio e Capitão Tiago Luz.<br><br>A escadaria social, que dava acesso a Rua Delmiro Sampaio, era feita em mármore branco com um corrimão em alvenaria, vazado em pequenos blocos formando desenhos de arcos. Na base do primeiro piso, em lajota preta e branca, erguia-se a porta de entrada, muito alta e em madeira maciça e escura, além de outras tantas janelas vindas dos quartos, também altas e pintadas de branco. O local possuía ainda muitos vasos, principalmente de samambaias.<br><br>O espaço era pouco visitado por nós, crianças, em virtude da escuridão e do frio.<br><br>Gostávamos de subir para a área comum pela segunda escadaria, bem mais simples e certamente mais charmosa. Era estreita, sem tanto glamour como a outra, mas possuía um corrimão de ferro todo decorado em arabescos, tendo como tema belas folhagens.Sobre esta armação havia um corrimão de madeira, já envelhecido pelo tempo. Com certeza fora pintado, mas na minha época ainda tinha algumas lascas de verniz envelhecido que sempre deixava algum desavisado arranhado.<br><br>Antes de chegar ao topo desta escadaria, havia uma grande janela (tipo veneziana) constantemente aberta, era a janela do banheiro. O local cheirava a sabonete Palmolive e a creme de barbear. O piso era uma lajota porosa nas cores branca, preta e verde, e as peças sanitárias eram branquinhas. Havia uma grande banheira com pés de felinos. Mesmo com as descargas atuais já em voga a do banheiro da minha avó ainda tinha a tradicional “cordinha”. Era preciso esperar que a pequena caixa d'água colocada acima do vaso sanitário ficasse cheia para a nova utilização. Muitas vezes demorava mais que o necessário para puxar novamente a tal cordinha, era um misto de medo e emoção. <br><br>Da janela do banheiro, adornada com uma cortina feita em crochê, era possível ver as copas das arvores do jardim da Praça Floriano Peixoto.<br><br>A cozinha era o ambiente mais frequentado da casa. O fogão era grande, feito com chapas de ferro, não sei se era movido a gás, mas sempre estava com alguma panela a preparar algo. O piso era maravilhoso, com decoração em bege, preto e carmim formando rosáceas ou algo assim. Os paneleiros, as cristaleiras de madeira e o local onde fica a mesa recebia a luz do dia através de um grande vitrô, adornado por uma cortina confeccionada em pontos de crochê.<br><br>A porta que dividia a cozinha da grande sala era, para mim, muito alta. Ela era em estilo balcão.<br><br>A sala era o cômodo mais escuro do imenso sobrado. Com madeira corrida no chão, suportando grandes e pesados móveis torneados e próximos a grande janela, sobre um imenso móvel um aparelho de televisão ficava constantemente ligado, mesmo quando não havia programação. Dai parte a minha lembrança do indiozinho da extinta Tupi em preto e branco.<br><br>Creio que todos nós trazemos na memória alguma lembrança da casa da vó.<br><br><br><br>E-mail: [email protected]<br>