Conjunto Nacional, vou lá

O Conjunto Nacional durante os anos 1960 era um local fantástico e mágico. Um grande quadrilátero formado pela Avenida Paulista, Rua Augusta, Alameda Santos e Rua Padre João Manoel.

Era bem garoto, mas como morava por perto (Rua Peixoto Gomide) tinha licença para chegar até lá caminhando pela Alameda Santos. Tudo isso desde que observasse o horário estabelecido para a volta.

Mas que nada! "Viajava" pelo Conjunto Nacional através de um roteiro que já tinha pré-estabelecido em minha mente. O mesmo roteiro, por sinal.

Inaugurado em 1958, o local foi idealizado por importantes executivos da área de hotelaria em conjunto com arquitetos extremamente competentes.

Era uma época de ouro. Começava o passeio pela entrada da Rua Padre João Manoel e ia para a biblioteca do Consulado Norte Americano, onde passava a maior parte do tempo. Livros maravilhosos, fotos de locais surpreendentes e uma poltrona de couro em um estilo e "design" que priorizavam totalmente o conforto.

Às vezes tinha algum dinheirinho, juntado por mim ou vindo do bolso do irmão, sei lá. Era pouco mas dava para comer uma coxinha do Fasano. Acho que nunca comi outra igual. Mas entrava no restaurante por trás, por dentro do Conjunto Nacional e comia no balcão mesmo.

Seguia em frente, dava uma olhada na Lanchonete Viena de longe, pois era inacessível para mim. Por fim chegava ao Cine Astor onde passava vários minutos olhando os cartazes dos filmes.

Voltava um pouco e olhava os filmes que passavam no Cine Rio.

Pouquíssimo tempo depois assisti a "Help" (Beatles) no mesmo Cine Rio, "apenas" 6 vezes.

Cresci e voltei várias vezes ao Conjunto Nacional com amigos, depois com a namorada… E assim foi.

Daí para frente, na década de 70, a decadência foi inexorável. O local ficou perigoso, decadente e feio. Aí ele voltou a ficar lindo e eu voltei a levar minha namorada lá.

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