Sou um filho da maior cidade deste nosso país, São Paulo. Aqui eu nasci há quase 70 anos, quando a Maternidade de São Paulo, na Rua Frei Caneca, era uma simples construção, não maior do que a casa do meu querido leitor deste relato verídico.
A minha história pessoal começa na cidade de Jaboticabal na alta paulista, de onde meus pais migraram com os meus avós maternos, logo após seu casamento, em busca da realização dos seus sonhos de jovens, nesta rica, linda e amada metrópole.
Eu era criança, tinha uns 10 anos, e estava passando as férias escolares na casa dos meus avôs paternos, que moravam em Jaboticabal, cidade onde estava a sede da Carlos Tonanni, empresa onde meu avô Guilherme trabalhava como forjador de componentes das máquinas ali fabricadas: tornos, frezas, beneficiadoras de arroz, de milho e outras mais. Pois bem, naquela manhã, quando eu brincava naquela enorme área do pomar de inúmeras árvores de deliciosas frutas, minha avó me chamou, trazendo nas mãos uma lata tampada de Gordura de Coco Brasil, a qual ela me entregou dando a seguinte instrução:
– "Leve esta lata ao asilo, entregue-a para a madre superiora, pois é para elas fazerem sabão."
Mas não me disse qual era o conteúdo daquela embalagem.
Muito bem, ordem recebida, coloquei-me a caminho imediatamente, afinal o asilo estava a seis ou sete quadras de distância. Na medida em que eu caminhava o pacote se tornava mais pesado e a minha curiosidade sobre o seu conteúdo aumentava; não resistindo mais, tirei a tampa da lata e vejam o que vi: prensados e sequinhos eram deliciosos torresmos.
Re-tampei a lata e voltei para casa. Lá chegando, disse a vovó:
– "Vó, eu não vou dar estes torresmos para o asilo não, eu vou é comê-los e eu gostaria que a senhora fizesse pães de torresmo para o comermos no café da tarde.”
Ela me atendeu e todos nós, eu e os primos, ficamos contentes com aquela delícia que saboreamos sentados à mesa naquela gostosa cozinha, ao lado do fogão de lenha que tinha aquele eficiente forno confeccionado pelo ferreiro vovô, onde eram assados todos os doces, carnes e pratos para as ocasiões comemorativas em nossa família.
Eu não pude deixar de lembrar este fato quando lendo o comentário feito pela minha querida Vera Moratta ao meu conto "Viagem de trem para Jaboticabal" quando ela fala sobre o comer, sentado a mesa da cozinha, aquela comida deliciosa… Como era gostoso!
Obrigado meu Deus porque me deste tudo isto uma vez!
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