Em 1954, eu residia na Rua Lício de Miranda, n.º 11, Vila Carioca, Ipiranga – SP. Hoje, relembrando o passado, fui compondo versos para passar o tempo, enfim, com 64 primaveras no jardim da vida, passa um filme na cabeça, daí resultou o texto abaixo.
O tio Brás comprou uma sanfona
Estudou pouco tempo e já largou
Enfim, foi pressionado pela minha tiazona
Foram dez anos de namoro e com ela se casou.
Seu professor Maercio Romanholi
Nos domingos em casa vinha dar aulas
E aos poucos meu tio já puxava o fole
Um, dois, três, abre e fecha o fole e aprendeu tocar valsas.
Ele trabalhava a semana inteira
Motorista era sua profissão
Chegava de tarde em casa com muita canseira
Meses depois também tocava um baião.
Mario Zan
O sanfoneiro do IV Centenário
Fazia muito sucesso era um bam-bam
Que ficou famoso no cenário.
Tio Brás ligava o rádio Record de São Paulo
Ouvia os sucessos do Mario Zan
Tocar sanfona La vou eu neste embalo
E me tornei seu fã.
Me obrigou a estudar música
Usando uma sanfona La Stradella
Na época nada tinha eu na cuca
Era criança aprendi tocar tarantela.
Agradeço ao meu tio Brás
Por forçar a barra nos estudos
Deixei de lado os desenhos Zas-trás
Se não poderia levar uns cascudos.
Comprei um computador
Dias depois comprei um teclado Yamaha
Com os dois aparelhos conectados virei compositor
Usando o programa Encore, compor músicas virou uma farra.
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