Foi sob o céu de Vila Formosa que eu cresci. Naquele bairro onde as pessoas trocavam cumprimentos, chorei, sorri, sonhei e gastei as plantas dos pés correndo atrás de uma bola.
E tantas foram as pipas erguidas e perdidas debaixo do vasto céu de Vila Formosa.
Jamais me esquecerei da feira-livre próxima à Avenida Renata, que, no início dos anos 80, passou a se chamar Avenida Limoeiro do Norte causando tremenda confusão à população, já que logo voltou a se chamar Avenida Renata.
E quanta saudade do meu carrinho de rolimã, dos carretos na feira, do vai-vem na catação de ferro-velho.
Quanta saudade daquele sábado em que juntamos alguns trocados ganhos graças ao carrinho de rolimã e rumamos para a Rua Javari, eu e o João. Assistimos a partida entre Juventus e Marília e nos divertimos muito! À noite vestimos as nossas melhores roupas e fomos à Praça Sampaio Vidal. Botei meio pote de gel no cabelo e me senti o James Dean.
Na casa de massas Grupo Sérgio, enchemos os nossos narizes com refrigerantes e pizzas. Lá estava Nilceia a formosa, tão formosa quanto a própria Vila Formosa; outra rodada de refrigerante enquanto ela e eu trocávamos olhares e sorrisos pueris. A emoção era tamanha, estando sentado à sua frente nem me dei conta da conta. O garçom franziu a testa e torceu o nariz, se retirou com o bloquinho de pedidos, voltou, passou-nos um sermão e nos deixou ir. Trêmulos e envergonhados, descemos pela Avenida Renata, nem sequer me despedi de Nilceia, a formosa.
Hoje, tudo é lembrança, contudo creio que muitas pessoas até se esqueceram que um dia a Avenida Renata passou a se chamar Avenida Limoeiro do Norte. Eu me lembro bem, pois ali, na Avenida Renata, morava Nilceia a formosa, tanto quanto a própria Vila Formosa, aliás, os meus dois primeiros amores.
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