Já li vários contos do São Paulo Minha Cidade sobre jogadores de futebol e copas do mundo. Eu mesmo escrevi (“Os ídolos também morrem”), mas, para mim, nada foi tão lindo como a primeira Copa do Mundo de 1958, que nós ganhamos na Suécia.
Não existia a televisão. Nós, moradores da Consolação, fechamos a rua, colocamos em várias árvores alto-falantes para ouvir o Pedro Luiz irradiar o jogo.
Nossos pais, nossos amigos, todos abraçados na rua cantando o hino nacional. Parecia que todos nós íamos para a guerra. Foi a cena mais bonita que eu vi em toda a minha vida. Quando eu lembro, vêm as lágrimas… Como um jogo de futebol une as pessoas, brancos, pretos, amarelos, todos unidos em busca da vitória…
Era uma tarde linda de domingo ao fim do jogo. Brasil campeão do mundo de futebol!
Fomos todos para Avenida Paulista, já naquela época, cantando e dançando. Ficamos até o dia amanhecer! No fim da festa, todos bêbados de alegria! Parecia incrível que nós tínhamos ganhado a Copa do Mundo de 58.
Fomos à chegada dos jogadores em São Paulo. Corríamos em volta dos carros dos bombeiros, gritando os nomes dos jogadores. Foi uma linda festa.
Em minha opinião, foi a Copa do Mundo mais romântica e gostosa de ouvir pelo rádio. Era o começo da época de ouro.
Éramos jovens, alegres, e dispostos a vencer na vida. Mas tudo passa, assim é a vida. Ficou a lembrança dos moradores da Rua da Consolação, dos amigos e das casas que hoje já não existem mais. Hoje só existem prédios.
Só ficou uma árvore da época do alto-falante. Pode parecer loucura da minha parte, mas toda vez que eu passo por ela, eu dou um beijo na minha amiga da mocidade.
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