Irmão de signo

Quando eu era mais jovem, gostava muito de passear no cemitério São Paulo, no bairro de Pinheiros.

Caminhava pelas ruas e alamedas, ladeadas de imensas esculturas, como um verdadeiro museu a céu aberto.

Eu ficava admirando as figuras representadas em bronze ou mármore e ficava encantada com a perfeição dos detalhes. Os corpos humanos com suas veias, anjos com asas de penas artisticamente elaboradas. Eram verdadeiras obras de arte!

Mas havia uma obra que descobri por acaso, que depois de chamar minha atenção me fez surgir um sentimento. Era um túmulo com uma grande estátua de São Jorge, montado em seu cavalo, enterrando sua lança na boca do dragão, tudo em tamanho quase natural, tudo feito em bronze.

Ao ler o nome esculpido na pedra na parte de baixo de Jorge, fiquei ali mentalmente imaginando quem foi aquele menino. Pelo sobrenome via-se que era descendente de libaneses ou sírios. Mas o que realmente me chamava atenção era a data de nascimento: 11 de maio, pois eu também nasci nesta data. Apenas o ano não era o mesmo, pois nasci dois anos depois.

Hoje, com a idade chegando, tenho problema de locomoção. Não dá para caminhar como no tempo da meninice e mocidade. Quando chega maio, lembro dos parentes e amigos aniversariantes do mês e mentalmente recordo o menino Jorge, mas não sei quem foi nunca vi seu rosto nem por fotografia.

Mas ficou a lembrança das caminhadas entre os túmulos. Ficou também a recordação do amiguinho de signo.

E-mail: [email protected]