Terreno no Itaim Paulista

Meu avô, Elpídeo, era fluminense, de Barra do Piraí.

Ele veio para São Paulo, trabalhar na adutora de Capela do Ribeirão, distrito de Mogi das Cruzes. Conheceu minha avó, Vicentina. Daí nasceu meu pai Francisco.

São Paulo estava crescendo pelas bordas, nos anos 40, então a família veio comprar um lote em uma fazenda desmembrada que hoje é o Itaim Paulista, na gloriosa Zona Leste.

Os lotes eram pagos em prestações. Meu avô já trabalhava na Nitro Química, no vizinho e grande bairro de São Miguel Paulista, divisa com o município de Guarulhos. Todo o território dominado pela estrada de ferro e pela estrada Antiga São Paulo – Rio, pré-Dutra.

Não lembro como foi contado, mas meu avô sofreu um acidente de trabalho, perdeu uma vista e aposentou-se. Para complementar a aposentadoria ele vendia no trem bilhetes da Loteria Federal. Os que sobravam tinham que ser devolvidos na Praça Clóvis até determinado horário.

Certa vez meu avô foi fazer a devolução, mas o trem atrasou-se e ele "morreu" com muitas frações do mesmo bilhete nas mãos.

Mas não é que Deus escreve certo por linhas erradas! Bom, é o que dizem. Um destes números que meu avô não conseguiu devolver foi sorteado! E assim ele quitou o terreno do Itaim Paulista.

E-mail: [email protected]