Aeroporto de Congonhas

A história se passa lá por volta de 1960 a 1965. Caramba! Como era longe, era uma verdadeira viagem, pois eu morava em Pinheiros. Foi num domingo, manhã de sol, a primeira vez que meu querido pai levou-me para este passeio. <br><br>Sabem aquele impacto que causa e fica registrado tão forte na mente e na alma, que nunca mais se esquece? Aquilo pra mim foi mais que um passeio, foi uma aventura, um sonho! <br><br>Parecia que já estava escrito e esperavam meu crescimento para realizar o feito. Acomodado em uma das várias mesinhas no pátio reservado aos visitantes, tinha-se uma ampla visão da pista e dos aviões que paravam bem a nossa frente. Normalmente eram sempre duas taças de sorvetes bem servidas, enquanto atônito acompanhava as manobras das aeronaves (quantos sorvetes derretidos)! <br><br>Eu ficava vislumbrado com aqueles enormes aviões: Constellation, a Panner do Brasil, a Real Aerovias e aquele movimento todo de passageiros embarcando e desembarcando; os motores sendo acionados, os uniformes impecáveis das tripulações, o andar charmoso das aeromoças. Isso sem dizer a ansiedade de poder entrar em um avião, conhecer a cabine de comando, assim como voar também! <br><br>Foram muitas e muitas visitas ao aeroporto, meu passeio predileto que aos domingos não poderia faltar. Passados alguns meses, tudo isso teve realmente uma conotação pura de criança, e aos poucos fui esquecendo a ansiedade, mesmo porque, meu pai já não aguentava mais (me levar ao aeroporto)! <br><br>Passados alguns bons anos, eu já adulto, com 19 anos, trabalhava em um banco e já tinha minha própria remuneração. Então resolvi colocar em prática meu desejo de voar! Fui a Congonhas e embarquei no Viscont (Vasp) com destino ao Santos Dumont no Rio. Aquilo para mim foi maravilhoso, não havia adjetivos para descrever.<br><br>Andei pelo aeroporto, conheci tudo, almocei por lá mesmo, em fim, passei algumas horas agradáveis, até que por volta das 14h, dirigi-me ao balcão da ponte aérea a fins de retornar para São Paulo, e fiquei mais feliz ainda, quando embarquei em um Electra da Varig.<br><br>Bom, passados mais alguns anos, sempre trabalhando em outros ramos e atividades, eis que me surge uma oportunidade de trabalhar na aviação! Entrei na TAM. Lá eu me especializei, fiz vários cursos, viajei para muitos lugares, fiz grandes amigos, amarguei muitas perdas.<br><br>Hoje estou aposentado, porém algo me diz que o caminho já estava traçado, ou não?<br><br><br>E-mail: [email protected]<br>