Lembro que, no final dos anos 70 e início de 80, costumávamos fazer festas juninas na nossa rua.
Eu gostava muito dessa época, dos milhares de balões que pontilhavam o céu, dos fogos, das bombinhas, do cheiro do quentão que se misturava com a fumaça da fogueira, que era feita num terreno em frente de casa.
Tudo era bem organizado. Cada família da rua era responsável por alguma tarefa, que podia ser: fazer o quentão, enfeitar a rua com bandeirinhas, fazer os quitutes juninos e assim vai…
Sinto muitas saudades, sempre que lembro de como éramos unidos. O termo 'vizinhança' realmente se aplicava àquela rua.
A festa durava a noite inteira, com muitas conversas, brincadeiras, balões, bombinhas e confraternização. Nesses dias eu aproveitava o máximo que podia – cada minuto era importante – pois, apesar de ser pequeno, sabia o quanto valiosos eram aqueles momentos.
Depois, quando a festa acabava e todos voltavam para casa, eu ainda ficava na rua, enfrente de casa, muitas vezes sozinho, olhando para a fogueira que ia se apagando, assim como os balões que passeavam solitários no céu de São Paulo e que pareciam tentar me dizer algo que hoje acredito ter decifrado: Apesar da chama da fogueira e dos balões sempre se apagarem, o que importa é mantermos essas memórias sempre acesas nos nossos corações.
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