Minha agonia era grande naquela sexta-feira do mês de maio de 1958. Ainda de manhã, na escola, minha professora do 2ºano, Dona Nilza, tinha nos lembrado que no domingo seguinte seria o Dia das mães e que nós devíamos dar-lhes um presente. Mas como? O meu pai era militar da Aeronáutica e por conta do seu ofício estava viajando e como compraria o presente da minha mãe? Meu irmão mais velho, que tinha já 13 anos não estava nem aí para o problema e o mais novo tinha apenas três anos.
No sábado, de manhã, fez-se a luz. Ouvi a voz do meu pai. Ele tinha chegado. À tarde fomos à Voluntários da Pátria, ali em Santana e compramos o presente.
Meu pai disse: Marcos, o embrulho vermelho é o seu. Perguntei o que era o presente e ele disse-me que era um quadro de Jesus em algum lugar que não entendi bem.
Na manhã seguinte, depois de pedir licença, é claro, fui entrando no quarto dos meus pais que ainda estavam deitados. E ansiosamente fui eu mesmo, desfazendo e embrulho do presente e dos frangalhos do papel, tirei o quadro dizendo:
– “Mãe, este é o seu presente, um quadro de Jesus, no porto do Seu Oliveira”!
O meu pai, quase morre de rir, porque era um quadro de Jesus orando no Horto das Oliveiras.
O seu Oliveira era dono da venda lá do bairro. E na inocência dos meus oito anos, achei que se ele tinha venda podia ter um porto.
Até hoje, aos 85 anos minha mãe conta esta história, que o meu pai também contava até três anos atrás, quando foi para o andar de cima.
De qualquer forma, feliz dia das mães a todas vocês. Com Jesus, onde quer que Ele esteja.
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