No início da década de 40, com sete anos de idade, morava na Rua Antonieta (atual Comendador Miguel Calfat), junto a Estrada de Santo Amaro (Avenida Santo Amaro) na Vila Nova Conceição. A escola mais próxima da minha residência ficava mais de um quilômetro de distância: Grupo Escolar Aristides de Castro, na Rua Joaquim Floriano, no Itaim Bibi. Como não havia outra alternativa, fui matriculado nessa escola.
Toda manhã, para ir à escola, saia de casa logo cedo e começava a "peregrinação". Descia a rua onde morava e entrava na primeira a direita, Rua João Cachoeira, chegando até a Rua Amélia (Dr. Alceu de Campos Rodrigues). Subindo a Rua Amélia, entrava na primeira a esquerda, Rua Tapera (Bandeira Paulista). Seguindo em frente cruzava com a Rua Heloisa (Dr. Eduardo de Souza Aranha). Com mais uns 150 metros chegava-se ao momento pitoresco da caminhada. A Rua Tapera era interrompida por um córrego (do Sapateiro). Não havia ponte para atravessá-lo. Teria que descer até o leito do córrego onde algumas pedras estrategicamente colocadas serviam de piso para a travessia à outra margem. Para a ingenuidade de uma criança o curioso episódio originava prazer.
Não me lembro bem, pois já fazem 70 anos, mas também a Rua Bibi (Dr. Renato Paes de Barros) e a Rua João Cachoeira (que não mudou de nome), necessitavam do mesmo procedimento da Rua Tapera. Naquela época uma única rua tinha o privilégio de cruzar o córrego sobre uma ponte estreita, só para pedestres: Rua da Ponte (Clodomiro Amazonas), que na época, a partir da Rua Amélia até o final, tinha o nome de Tabaúna.
Mas voltando à história, continuando a caminhada, a primeira rua após o córrego era a Rua do Porto (Leopoldo Couto Magalhães Jr.). Cerca de 200 metros depois, finalmente a Rua Joaquim Floriano. Entrando à esquerda já deparava com o imponente e hoje saudoso prédio do Grupo Escolar Aristides de Castro. Lá chegando, entre crianças brincando no pátio, o simpático, mas enérgico "Seo" Fonseca, empunhando o seu tradicional sino, aguardava o momento para as badaladas características anunciando que as aulas iam começar. No recreio, sempre atento, o "Seo" Fonseca andava por todo o pátio para impedir traquinices de crianças e repetia as badaladas quando era hora de voltar às classes. Com o fim das aulas chegou o momento de providenciar o retorno. Saindo da Escola a primeira à direita era a Rua Tapera e daí em diante repetia-se a "peregrinação" no sentido contrário até chegar em casa, já com alguma fome mas contente pela feliz manhã!
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