Mosteiro de São Bento

Assim são os novos tempos: Tudo vai mudando com muita rapidez; Tudo e todos vão se atualizando e, cada vez mais, usando as novas tecnologias. Até eu, do tempo da máquina de escrever não elétrica, porque a elétrica já foi um grande avanço, que enquanto secretária me arrepiava quando precisava fazer correções, principalmente se havia cópias em carbono, rendi-me, com facilidade, ao computador.

Fácil, fácil: para corrigir tem dicionário ortográfico e tiram-se quantas cópias sejam necessárias na copiadora, mesmo pagando os olhos da cara pelo preço dos cartuchos. Podem-se abrir pastas de arquivo para os mais diversos usos, etc..

Mas esta crônica tem a finalidade de falar um pouco do Mosteiro de São Bento e de seus avanços. Nos meus tempos de criança e de jovem, sempre que ia à Ladeira Porto Geral não perdia a chance de ir ao Mosteiro. Algumas vezes, com meus pais ou com amigas, ia assistir a missa só para admirar os seus vitrais – adoro a arte do vitral – com seu belo altar e admirar, boquiaberta, o órgão com seis mil tubos.

Além das belezas artísticas, a missa era cantada pelos monges e seus cantos Gregorianos, acompanhados pelo órgão. Seu relógio e o da Estação da Luz marcavam a vida da São Paulo antiga, como o Big Bem marca a vida de Londres e da Inglaterra.

Sua arquitetura externa parecia muito mais portentosa do que hoje, pois ela se erguia no Largo, com poucas construções de prédios altos no entorno. Acabada a missa, íamos dar uma volta pelo Centro, em especial pelo viaduto Santa Ifigênia, outra bela obra de arquitetura, toda em ferro, vinda da Inglaterra.

Muitas vezes parávamos sobre o viaduto e ficávamos olhando para a vida correndo lá embaixo. Muitas vezes também ficávamos imaginando as famílias saírem dos Campos Elíseos, atravessarem o viaduto e chegarem ao Mosteiro, para a missa, com suas elegantes roupas domingueiras.

Depois, tomávamos um suco ou um sorvete e voltávamos para casa, para o almoço de domingo: uma macarronada, maionese e frango assado; frango esse morto, depenado e assado em casa. Nunca consegui aprender a matar frango. Minha mãe os matava puxando-lhes o pescoço. Eu tinha muito dó dos bichinhos, e ao fim acabava judiando mais e não conseguia chegar ao fim.

Mas, o que desejo comentar são as mudanças que existem hoje no Mosteiro. As missas continuam sendo rezadas, acompanhadas pelo Canto Gregoriano, e o mesmo órgão tocando; os casamentos, batizados e catequeses continuam sendo realizados, mas a novidade está no pós-missa.

Claro que os monges, monjas e freiras sempre foram ótimos cozinheiros e cozinheiras, haja vista as inúmeras receitas que nos têm legado. Do Recife mesmo, cheguei a trazer compotas e licores, feitos por religiosas. Pois não é que os monges do Mosteiro de São Bento construíram um espaço só para vender pães, biscoitos, geléias, mel e chocolates produzidos em sua cozinha?

Os leitores talvez estejam pensando: “e daí? Isto é comum". Mas eu lhes digo que, o que não é comum para um mosteiro é vender também pela Internet, através de sua loja virtual e enviar as guloseimas por Correio! Pois é isso aí. Entrem no site do mosteiro e vocês encontrarão um link da lojinha.

Mas agora vem o melhor! Uma vez por mês o mosteiro faz um “Brunch” – sofisticadas iguarias como o site do Mosteiro informa, servido no refeitório monástico, que comporta até 140 pessoas. Ainda não fui lá provar, mas já vi o cardápio pela Internet. O Brunch é preparado pelos monges e por renomados gourmets de São Paulo, tudo nos “trinques”.

No evento pode-se ouvir música clássica e contemporânea. O evento se inicia após a missa das dez, mais ou menos 11:30hs e vai até às 15:00hs. O preço é, até a data em que escrevo esta crônica, R$ 130,00 por pessoa e as reservas são feitas com dois meses de antecedência, com depósito do valor feito em conta bancária, antecipadamente. As reservas, até o mês de abril, já estão encerradas.

Nestas ocasiões pode-se também visitar a biblioteca e ver obras de arte sacra contemporânea em exposição. Agora o passeio e a missa são completos. Não é mesmo uma mudança e tanto?

Aqui vai uma idéia para o Miguel: a confraternização do fim de ano ser feita no Mosteiro de São Bento.

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