Memórias Infantis – I

O Nelson de Souza Lima escreveu outro dia um texto sobre brincadeiras de criança. Acreditem, brincadeiras de crianças eram, realmente, as de nossos tempos, hoje os computadores, e os jogos eletrônicos tomaram conta da criançada e já não vemos crianças tão alegres e criativas como outrora. Digo isso e comprovo olhando para meus netos. Num triscar de dedos vou de volta aos anos 50, anos do pós-guerra, anos de muitas faltas, principalmente de gêneros alimentícios. Mas, garanto, eu era bem feliz. Uma frase vem povoar minha lembrança, "CAMOM BÓI", frase que não representa nada para ninguém, apenas para este escrevedor ela faz sentido. Ela é uma das minhas criações daquela época, foi ela a minha primeira expressão na língua inglesa que, confesso, nunca foi meu forte. O que ela significa, não sei hoje e jaz não sabia naquela época. Acredito que ela foi subtraída de uma expressão sonora que meus ouvidos conseguiram captar numa matiné de qualquer domingo, na sala verde do Cine Odeon, num capitulo do "O Sombra", "O Cobra" "Dick Tracy" ou outro seriado qualquer que eu acompanhava nas tardes dos domingos. Porém eu, com uma estrela de papelão no peito, um revólver de chumbo prateado preso à cinta, um chapéu de palha substituindo ao já famoso chapéu de vaqueiro. Era o verdadeiro herói das minhas brincadeiras, junto com amigos da minha idade nas matas dos fundos do Colégio Mackenzie que, acreditem, ficavam na Rua da Consolação e eram guardadas por vigilantes vorazes, doidos por acertarem tiros de sal na molecada que invadia a "floresta" para brincar de índio ou de mocinho e bandido, e eu, que pertencia a essa molecada, gostava de prender os meus "inimigos" fazendo pose, mostrando a arma e dizendo com a maior tonalidade "camom boi". Como era bom…..