Rua Japurá, bairro da Bela Vista (Bixiga) nasci, cresci e vivo nesse lugar até hoje. Os antigos diziam que quem nasce nessa rua costuma ficar, e os que saem sempre voltam.<br><br>Nos anos 60 quando garoto, brincávamos na rua jogando bola (ainda era possível) empinando papagaio, jogando taco e todas aquelas brincadeiras de infância.<br><br>Mas o que mais me chamava a atenção eram os personagens que moravam ou frequentavam essa rua, e todos se conheciam como uma imensa família, pessoas/personagens como o Queixada, o Cabeção, o Birinaites, o Zé Pinguinha, o Chambolão, Sapucaia e tantos outros. O meu avô, Seu Costabille Cesare, minha tia Mithelde, a tia Conchetta, meus primos Adhemar e Armando, ambos jogadores do Luzitana, o Senhor Roque Maiolino, a família Braga, Marquinhos, Fran (javali), Admarzinho, Carlito, eram uma família com 11 irmãos e com uma mãe guerreira, que sozinha criou todos eles. Essa rua era uma imensa família com certeza, todos zelavam uns pelos outros.<br><br>Lembro-me que na conquista da copa de 70 fechamos a rua, todos se reuniram, enfeitamos a rua com bandeirinhas, cada família fez um prato de salgado ou doce e mais batata doce e pinhão feitos numa fogueira no meio da rua, ainda era calçamento de paralelepípedo, lembram?<br><br>Tinha também a barbearia do italiano Rafael, que por sinal era corinthiano e não podia ouvir falar do Palmeiras, era um ponto de encontro do pessoal, a quitanda da Alice que era uma japonesa bem pequenininha e outros que se eu for contar haja páginas pra escrever.<br><br>Saudades desse tempo que não volta mais e todas essas pessoas, a partir do final do anos 70 essas pessoas foram para outros lugares, chegaram a voltar pra uma visita ou outra mas depois ficaram só nas saudades, acredito que alguns já não estejam entre nós. <br><br>Hoje ainda moro na Japurá, mas não tem mais nada desse tempo que relatei… Uma pena. Sou o Pedro da família Cesar, filho do Vicente (xerife). Abraços. <br><br><br>E-mail: [email protected]