Nossa querida Doris Day nos brindou com um texto primoroso referente ao seu primeiro tailleur. Igualmente soberba é a crônica de Mário Lopomo falando sobre seu primeiro terno. Pegando carona no assunto indumentária e inspirado por estes brilhantes contistas resolvi escrever a respeito da minha primeira camiseta de rock. Como comentei em outra história o ritmo mais louco do planeta sempre fez parte da minha vida. Meu pai, "um roqueiro das antigas", insistiu que seus filhos tomassem contato com o gênero de Elvis Presley desde cedo. Consequentemente foi natural para mim conhecer e gostar, desde a mais tenra infância, de Led Zeppelin, Black Sabbath, Deep Purple, Dio, AC/DC, entre tantas outras bandas. Lá pelos idos de 1982, no início da minha adolescência, conheci uma turma de jovens que freqüentava a Praça Silvio Romero, no Tatuapé. Eram os "metaleiros", fãs de Heavy Metal, que com suas camisetas pretas, calças jeans apertadas e tênis surrados curtiam os grupos mais pesados da época.
Chamar de "metaleiro" um fã de metal é considerado um insulto hoje em dia. O correto é usar a expressão americana "headbanger" (sacudidor de cabeça), coisa que o deputado Aldo Rebelo não deve gostar. Voltando à história, naquela época eu usava roupas mais comportadas, reflexo ainda da minha quase meninice, e se quisesse ser aceito por aquela galera precisava me vestir como eles. Falei para o meu pai que gostaria de mudar o visual e queria que ele me comprasse algumas camisetas de bandas. Meu velho, grande conhecedor do estilo, aprovou a idéia e no final de semana seguinte me levou para conhecer o paraíso do rock em São Paulo: as Grandes Galerias, na Rua 24 de Maio. Fiquei deslumbrado com o que vi, os corredores cheios de cabeludos e punks conversando animadamente, inúmeras lojas de discos, as mais antigas eram a Aqualung e a Baratos Afins e muitas camisetas pretas com estampas de todas as bandas. Andei pelos vários andares da Galeria ao lado do meu pai, que volta e meia, parava em uma loja para apreciar os discos de vinil. Entre tantas camisetas legais acabamos comprando uma que trazia a estampa do Jimmy Hendrix, empunhando sua guitarra de forma furiosa. Voltei para casa super feliz e naquela mesma noite, todo pimpão, fui ao encontro da turma.
Acharam minha camiseta o máximo, perguntaram quanto tinha pago, onde havia comprado, etc. A partir de então passei a fazer parte do grupo e freqüentar festas movidas a muito rock pesado. Foi o meu batismo de fogo como "metaleiro", quero dizer "headbanger".