Meus pais foram moradores do bairro Itaim Paulista. Minha primeira infância foi lá, depois fui para o Brás, mais próximo de onde meu pai trabalhava, no SENAI da Monsenhor de Andrade.
Lembro da Praça Silva Telles, onde havia um cruzeiro, e lembro de quando o cruzeiro caiu. Minha avó Vicentina morava em frente e eu estava sempre lá.
Tenho outra avó que também chama-se Vicentina e ela mora ainda hoje no Camargo Velho, bairro próximo ao Itaim. Meu avô Elpídeo foi um dos sócios fundadores da SAB do Itaim e lembro-me de meu pai, uma vez, ter-me levado lá.
Era muito pequeno e um gesto que não se faz mais está na minha memória. Era um jogo de basquete e um dos moços que acabara de fazer uma cesta juntou as mão e, levantando os braços, os chacoalhou por sobre a cabeça. Minha mãe tinha um tio, irmão da minha avó Vicentina do Camargo Velho, que era sapateiro no centro do Itaim. Esta minha avó, assim como minha mãe e minha bisavó Mãina, que era uma negra da boca bonita (é assim que eu me recordo), vieram de Sergipe, cidade de Propriá, às margens do Velho Chico, nos anos 40.
Meu avô Elpídeo, pai do meu pai, veio de Barra do Piraí, no RJ, para trabalhar nas adutoras em Capela do Ribeirão, região de Mogi das Cruzes. Foi lá que ele conheceu minha avó Vicentina e os dois vieram morar em Itaim Paulista, que era uma fazenda que foi loteada, processo de muitos bairros de São Paulo que margeiam a estrada de ferro. Áreas rurais loteadas pelo incremento dado pela ferrovia, aumentando seu valor imobiliário.
Nosso centro era o bairro de São Miguel Paulista, e para lá íamos quando precisávamos de médico, banco e outros serviços. Meu avô trabalhou na Nitro Química, assim como meu pai. Minha avó do Camargo velho trabalhou na Reór, fábrica de zíperes, na Radial Leste. Minha mãe foi bordadeira no centro de São Paulo. Todos se utilizavam do trem, na estação do Itaim.
Até a próxima, leitor.
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