Primeira cena. Primeira música: "Pela estrada afora eu vou bem sozinha, levar estes doces para a vovozinha". Dois atores ótimos, naturalidade coerente com a proposta do que será o restante do filme, recheado de outras interpretações excelentes. A Avenida Paulista quando dá pro Oeste, pra Doutor Arnaldo.
Segunda música: "It's the best thing that you ever had, the best thing you ever had has gone away. Don't leave me high, don't leave me dry". Segundo a RolingStone, conseguir com o Radiohead a cessão dos direitos autorais para High and Dry foi um trabalho que levou quase um ano.
Mas valeu a pena. Seja na voz do Thom Yorke, ou da Danni Carlos, que olha fixa e sedutoramente pra uma garota do interior que, como eu, se deslumbrou ao conhecer São Paulo.
Todas as vezes que a música toca no cinema são de arrepiar. Comprovei no braço de uma outra mocinha do interior, paulistana por adoção, que fez questão de que eu registrasse o momento.
“Quanto dura o Amor?” (Roberto Moreira, 2009) é uma espécie de "Closer brasileiro". Tal qual esse fala de amores possíveis. Amores possíveis numa cidade.
Aliás, belamente homenageada pela fotografia lindíssima de Marcelo Trotta, que retrata aquele pedacinho mágico da capital que vai do pé da Augusta até o ponto de ônibus da Consolação (pelo qual também circula o milagroso Bonfiglioli-Belém 702C que já me livrou de muitas enrascadas, sempre passando nas horas certas).
A poesia paulistana exala em todas as falas, situações, sotaques, conflitos. Mas é um filme de amor. Que é universal. Ou seja, é um filme de um bairrismo universal, de sentimentos que podem acontecer em Lisboa ou na Cidade do Cabo, mas que, também, dificilmente ocorreriam de outra maneira se não fossem aqui. Entenderam?
O fato é que o filme vale à pena. Especialmente quando os amores possíveis são tudo o que nos resta. Abracemo-nos.
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