Jean Gabriel Villin, o criador do marco zero – Praça da Sé

Jean Gabriel Villin nasceu em Amiens, na França, em 28 de maio de 1906 (naturalizado brasileiro). Jean era filho de Jean Baptiste Villin e Marie Hortense Lereux. Fez seus estudos, desde o primário, em Paris, onde cursou a Escola de Desenho "Bernard Palisay".

Ainda bastante jovem, com 19 anos de idade, precisamente em junho de 1925, desembarcava em Porto Ferreira para trabalhar como desenhista na Fábrica de Louças. O jovem francês foi contratado para prestar serviços durante um ano em nossa industria, mas aqui ficou bem mais tempo.

Fato engraçado aconteceu na sua chegada à nossa cidade. Coincidiu com a chegada dos jogadores do Clube Atlético Paulistano F. C., que vieram disputar uma partida com o Porto Ferreira F. C., em benefício do Hospital D. Balbina. Confundiram o Jean com Mario de Andrade, jogador do Paulistano e foi aquela gozação.

Em 1927, Jean mudou-se para São Paulo onde, a convite de Lourenço Filho, Diretor Geral do Departamento de Educação, ingressou no funcionalismo público como desenhista. E em 1929, Jean casou-se com a ferreirense, professora Nalzira Pinto Cortez.

Jean dedicou-se, também, à publicidade, tornando-se um dos mais antigos e respeitados desenhistas publicitários, devido aos seus conhecimentos e capacidade profissional. Foi ele quem deu cunho essencialmente nacional à propaganda, sendo considerado o "mais brasileiro dos publicitários brasileiros", porque seus temas eram o folclore e as coisas do Brasil.

Pelos anos 1929-1930, começou a ilustrar livros de Monteiro Lobato. Este ficou impressionado com o brasileirismo das ilustrações de Villin, que teve com Lobato diversos contatos. O primeiro deles foi na residência de Monteiro Lobato, na Aclimação, quando combinaram a ilustração do livro "Reinações de Narizinho". A última vez que Jean conversou com Monteiro Lobato foi quando este saia da prisão para saber o endereço de um amigo. Monteiro Lobato havia sido preso devido à polêmica que sempre manteve a respeito do petróleo brasileiro.

Jean nunca se desligou de Porto Ferreira. Em suas férias e folgas, aqui estava ele percorrendo o Moji Guaçu, desenhando nossas paisagens, pintadas em quadros, várias vezes premiados.

Em 1963, aposentou-se, e no ano seguinte, mudou-se para Porto Ferreira. Morava em sua chácara na Rua Manoel Lourenço Junior. Era comum ver Jean passar em sua moto pelas ruas. E como bom francês, não dispensava o cachimbo que apertava entre os dentes.

Foi autor do "Marco Zero" da cidade de São Paulo, que fica na Praça da Sé, da alegoria histórica que ornamenta o saguão de nossa antiga Câmara Municipal e do mural contendo o brasão de Porto Ferreira, pintado em azulejos no prédio de nossa municipalidade. Por isso e, por muito mais serviços prestados à nossa terra, foi agraciado com a cidadania ferreirense, título que sempre conservou com muito orgulho.

Jean Gabriel Villin faleceu em nossa cidade no dia 5 de outubro de 1979, deixando esposa e as filhas Jeane, casada com Roberto Viegas Bitencourt Prado; René, casada com Rui Denunci; Louise Helena, casada com Amir Campos; Marina, casada com Aderbal de Barros. Deixou também vários netos e muitos amigos. Em Porto Ferreira existe uma via pública com o nome do ilustre Jean Gabriel Villin.

Dona Nalzira faleceu em 22 de maio de 1987, com 82 anos de idade. Um dia, quando recepcionado por publicitários amigos, Jean falou:
– Em Porto Ferreira, estarei as ordens. Na terra onde o Thales escreveu seu livro "Saudade", no meio das flores e de beija-flores, haverá sempre uma cama limpa e um prato cheio.

Era assim nosso querido Jean…

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