Mudei para Pinheiros, na Rua Teodoro Sampaio, 1718, em cima da Pizzaria "Tarantella", em 1958 e ali residi ate 1972. Cresci brincando na Rua Mateus Grow, que ainda não tinha o viaduto, e era uma rua morta, sem saída.
Tinha uma turminha boa. Os Palmas, Cláudio, Marcos e irmã, os Maria da Silva, Leandro, Vanildo, Roseana, Erix, Roseli, Dona Julia e Seu Dito. Do pessoal da Vila na Mateus, lembro-me o nome apenas da Fátima, filha de um vendedor que ganhou na loteria uma vez e comprou um Fusca "0 km" 1967, de cor verde, e do Wagner Cortonesi, tocador de violão. Mas, enfim, tinha muitos amigos ali.
Estudei em uma escola Municipal na Rua Padre Carvalho onde havia duas salas de madeira; e em uma sala funcionava o 1º e o 2º ano e na outra o 3º e o 4º ano. Depois fui para o Godofredo Furtado; me lembro que no recreio comprava coquinha de garrafa, para ver seu eu ganhava um fusca 63 "0 km", que eram colocados nas tampinhas, e, depois, no Ginásio Estadual Antonio Alves Cruz (depois passou a ser Colégio). Este último, era na João Moura (onde, no mesmo prédio, funcionava uma Diretoria de Ensino), que passou para a Capote Valente, 1.100, e com a construção da Avenida Sumaré, mudaram o Colégio para uma praça que não me lembro o nome, próximo à Cerro Cora.
Andávamos por tudo ali: Rua Iguatemi, Pinheiros, largo da Batata, Ponte Eusébio Matoso (que era apenas uma pista ida e volta), Praça da Paineira… Não existia a Marginal e nas proximidades do Rio Pinheiros havia várias lagoas, onde os motoristas iam lavar seus carros e caminhões. Ali era tudo terra e mato.
Lembro da Rua Artur Azevedo, na esquina da Henrique Schauman. Não tinha o acesso de quem vinha da João Moura, somente uma escada para pedestres. A Mateus Grow e a Joaquim Nabuco também não. A Rua Borba Gato, hoje Carvalho Pinto, era desse mesmo jeito.
Eu ia pra escola na Padre Carvalho, de Bonde 29 (Pinheiros) em 1961 e 62 para o largo de Pinheiros, em frente à Igreja, onde ele fazia a volta e retornava, e no centro desse largo havia um tipo de casinha com muitos telefones públicos, me lembro bem que eram pretos.
Na esquina da Fradique com a Teodoro, em frente à Padaria Sensação que já existia, onde hoje tem um prédio atá a Cardeal, mas ali funcionava o Instituto Pinheiros, muito cheio de arvores, se não me engano, eram pinheiros, e sua saída era bem na esquina da Teodoro; era um terreno alto e tinha um muro alto da Teodoro até a Fradique, e subia um pedaço da Cardeal. Na Fradique, em frente a esses prédios, há um prédio grande nos fundos e ali era nosso campo de futebol, o "campinho", cujos fundos eram as casas da Mateus.
Ali embaixo desse prédio passava um riozinho, que ainda está ali, mas canalizado. Passava por baixo da Cardeal, vinha por baixo de um prédio, saia no campinho, e ia por trás das casas da Fradique atá perto de uma Farmácia, já chegando na Teodoro, e ali estava canalizado e ia atá próximo da Artur de Azevedo, e depois sumia, canalizado.
Quem passa pela Artur entre a Mateus e a Fradique, no lado direito desse sentido, vai prestando atenção que vai ver um espaço com um bueiro grande; ali é o Rio.
Na Praça Benedito Calixto, na esquina da Rua Lisboa, havia uma loja de tintas e acho que ainda existe, que há muitos anos pegou fogo de madrugada e queimou até o amanhecer. Lembro-me que estava indo pro Godofredo na João Moura, e havia uma fila de bondes parados, pois não podiam passar.
Lembro-me que tinha amigos, isso já na época do Alves Cruz na Capote Valente, que residiam na Henrique Schauman, entre a Teodoro e Cardeal, cujas casas foram derrubadas para a obra da avenida. Ali era uma “subidona”.
Quando começaram os primeiros Supermerados Peg e Pag, o primeiro que me lembro era na rua Pinheiros, entre a Morato e a Simão, do lado esquerdo, era vizinho de uma concessionaria Willys, onde a gente ia apreciar os Aero Willys zero km. depois se nao me engano passou a ser Volkswagen, me foge a memoria.
O Bonde 28 (Vila Madalena) descia a Teodoro e virava na Fradique Coutinho. Na Esquina da Teodoro/Fradique, o condutor parava, descia do bonde com um ferro e mudava a linha (trilho) para poder virar, e quando chegava o Pinheiros, fazia o inverso.
Lembro-me quando acabaram com os bondes… Houve um desfile de ônibus da CMTC anunciando o progresso com a passagem do último bonde e início dos ônibus, e eles tinham os números 929 Pinheiros e 928 Vila Madalena; suas carrocerias eram Grassi e Caio, mecânica Mercedes, acho que em 1966. Lembro-me quando interditaram a Teodoro para construir o viaduto sobre a Mateus, e dar vazão àquela rua… Demoraram um tempão, não me lembro quanto.
Havia um cinema na Fradique, o Jardim, depois fizeram ao lado o Fiameta, na Teodoro, um cinema numa galeria pra baixo da Cunha Gago que não me lembro o nome. Havia um também na Rua Butantã, e outro na Rua Lacerda Franco, portanto, fartura de cinemas, fora o do Padre, nos fundos da igreja do Calvário, onde fiz a primeira comunhão, e para entrar no cinema, tinha que assistir a missa no domingo de manhã para ganhar o ingresso, e à tarde, íamos ao cinema.
Onde hoje há um conjunto habitacional no final da Morato Coelho, na Vila Madalena, era um enorme terreno com um campo de futebol, 1 de Maio. Havia mais campos de futebol na região, como na Eusebio Matoso, já quase na Marginal, onde hoje tem um grande shopping.
Enfim, conforme eu for me lembrando vou detalhando aqui. Se alguém que está lendo foi desse tempo, meu apelido era "Neco", e eu tinha um cachorro marrom sem rabo que não nos largava, de nome "Pitoco", e meu irmão tinha o apelido de "Cuca".
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