A VEMAG S/A Veículos e Máquinas Agrícolas S/A era, na década dos anos 60, a empresa fabricante dos veículos da marca alemã DKW, sob licença da Auto Union.
Era ela uma empresa nacional, do Grupo Novo Mundo, e foi a primeira indústria automobilística nacional, fundada no ano de 1956, e fabricava, em 1967, os veículos de nomes: Belcar, modelo sedan de 4 portas; Vemaguet, utilitário modelo perua; Candango, modelo militar (Jeep); e o Fissore, automóvel e linhas modernas e luxo projetado na Itália.
Como era de interesse na época de uma grande concorrente sua em lançar no mercado dois veículos carro (TL) e perua (Variant), que eram exatamente veículos do mesmo porte e destinados a uso similar, esse concorrente adquiriu a Vemag e desativou a fabricação dos seus produtos.
Durante o período em que ambas as empresas ainda produziam cada um os seus veículos (portanto, a Vemag existia), alguns funcionários da adquirente foram alocados para a adquirida. Eu fui um deles e como profissional da área de suprimentos.
Era, na época, o gerente do Departamento de Compras da Vemag o Sr. Gustavo Stal e seu subgerente o Sr. Murilo Barbosa. Ambos tinham como seu auxiliar de confiança o Miranda, que devido ao longo tempo de convívio, já conheciam suas vontades e hábitos até que familiares.
Eram veículos da época mais accessíveis à classe laboriosa, os importados e usados; desses o Sr. Murilo Barbosa era proprietário de um popular e pequeno inglês de nome Anglia, do qual ele tinha um ciúmes doentio.
Não é que um dia o motor daquela preciosidade fundiu?! O desespero tomou conta do Murilo. Ao chegar à Vemag, contou o seu drama ao Miranda. O Miranda, calmamente, lhe disse conhecer um dos montadores na linha de motores e que ele o traria até a sua sala para que conversassem a respeito de uma possível contratação dos seus serviços.
Assim foi feito. O montador ouviu qual era o problema dele e, após as recomendações sobre os cuidados que eram exigidos para com o carro, ele foi contratado quando afirmou o seu capricho dizendo: "Seu Murilo, fique tranquilo. Eu farei o serviço na sala em que a minha mãe costura".
Decorridos dias, semanas, meses que o carro havia sido levado para o conserto. Sem notícias, o Murilo chamou o Miranda e pediu que fossem à casa do caprichoso mecânico.
Lá chegando, qual não foi o desespero do Murilo? O seu carro estava em um rancho em que galinhas dormiam, de capô e portas abertas, todo sujo de estrume e penas que demonstravam que os bichos o usavam como poleiro.
A reação do Murilo naquele momento foi de desespero e ordenou ao Miranda que o levasse embora dali, no que foi ouvido e atendido imediatamente.
No caminho, contava-nos o Miranda que o Murilo, na sua simplicidade interiorana, disse-lhe, pausadamente: "Miranda, sabe, eu tive vontade de perguntar pra aquele filho da p…: ‘É aqui que a va… da sua mãe costura?!".
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