Foi nesta época de ouro para a juventude transviada, que de transviada não tinha nada. Era uma gente boa, feliz, que curtia a Rua Augusta, onde passavam em seus carrões conversíveis, os Astros da época. <br><br>Roberto Carlos, Erasmo, Wanderley Cardoso e muitos outros. Íamos até lá a pé, porque morávamos na Avenida Paulista, bem no começo dela, perto da Praça Oswaldo Cruz. <br><br>Íamos ao cinema, que naquela época só passavam filmes de amor. Éramos mais românticos e até os rapazes choravam nos filmes. Depois do cinema íamos tomar lanche no Frevinho onde todos se conheciam e eram papos saudáveis, encontros para marcar um bailinho na casa de um de nossos amigos, onde quem comandava a festa era a vitrolinha colorida e os stand plays, os discos de vinil. <br><br>Depois andávamos Rua Augusta acima, Rua Augusta abaixo, namorando vitrines e, os que podiam, que tinham poder aquisitivo maior, sempre compravam alguma coisa. <br><br>Eu comprava sempre alguma roupa nova, da moda e o perfume Rastro. Ah! o Rastro que ele deixava! Que aroma! Outro dia por acaso entrando em um site, descobri que o Rastro havia voltado. Mas que amarga desilusão! Não é mais o mesmo aroma, nem de longe! Nem o mesmo frasco que depois servia para guardarmos algodão, que ficava perfumado e o colocávamos na bolsa. Tudo tinha cheiro de Rastro. Guardo na memória o perfume delicioso que nunca mais, como tudo o que se foi, não voltará.<br><br><br>E-mail: [email protected]