Nasci em 1971, moro na Rua Crisciuma desde então. Tive daquelas infâncias que, quem vê o bairro hoje, não acredita. Vivia em esgoto ao céu aberto, sem iluminação pública, sem asfalto, muitos campos de várzea, sem linhas de ônibus, sem hospitais, enfim, um descaso com a região.
Olhando hoje para este bairro, vê-se o tamanho do progresso deste: um dos melhores centros comerciais da região, totalmente asfaltado, com clínicas, iluminação, "sossego", e muita amizade.
Muita gente ainda mora há muito tempo ainda, mas muita gente saiu devido à valorização do bairro.
Mas tenho saudade de jogar bola descalço, brincar nos campos da várzea, da Tubaína, pega-pega, brinquedos caseiros (carrinho de rolimã, estilingue, caninho de antena para lançar foguetinhos, pião, bolinhas de gude, etc.).
Nossos pais lutaram, nos educaram e hoje estou aqui, quem diria, micro-empresário. Apesar de eu ter "enforcado aulas", repetir de anos muitas vezes, comecei a trabalhar cedo, aos 13 anos. Às vezes faltava nas aulas para ajudar um pedreiro em construção para ganhar um troco.
Aos 15 já trabalhava registrado em uma empresa na Vila Maria, que existe ate hoje (Rendatex), na Rua Arary Leite. Aos 16, já era contínuo no Bradesco, onde trabalhei até os 19 anos. Foi quando me achava maduro e comprei uma certa "freguesia de doces ". Me estrepei. Não durei seis meses.
Nesta época, fiquei desempregado e voltei a estudar. Aos 21 anos, consegui entrar na DERSA (cuida de rodovias), onde fiquei por cinco anos. Construí minha casa, casei e fui promovido.
Daí quis montar outro negocio, onde me dei mal de novo. Fui trabalhar na área médica, como recepcionista, onde comecei tudo de novo. Estudei Radiologia, me formei e advinha… Não segui a profissão. Dei-me bem como Relações Públicas num hospital onde durei por certo tempo. Tive muitas decepções. Muita gente que não sabe tratar gente.
Então, desde o ano 2002, sou um empresário em ascensão e acho que chega de quedas, né? Já estou grandinho demais e continuo na Vila Sabrina. Onde estarei montando minha loja e jogo bola, até hoje, num dos últimos campos de várzea que existe.
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