23 de maio de 2012

Segunda-feira e o rodapé de meu monitor me informa que já são 21:27.

Enquanto não começa o CQC, meus sudokus já estão todos resolvidos (modéstia à parte, sou bom nisso!) e "mente vazia é oficina do diabo" (como já dizia minha bisavó e provavelmente a bisavó dela), entre a dezena de "criativas" idéias que me ocorrem, uma se destaca, talvez pela maior improdutividade, o que irá me permitir descartá-la, quiçá ainda hoje mesmo, sem qualquer remorso: quantos dias já vivi?

Somados todos os anos, considerados todos os bissextos, a calculadora do Google me informa que até hoje (12/4/10), já vivi – alguns bem, outros mal vividos – 24209 dias. E daí?

Olhando bem para o resultado, esperando encontrar ali alguma coisa aproveitável, só consegui concluir que estou perto de completar 25.000 dias de vida, o que também não quer dizer nada, mas como são, agora, 22:08 e o CQC ainda não começou, por que não me seduzir por um número tão bonito, tão redondo?

Volto à calculadora do Google; diminuo, divido, somo e… 23 de Maio de 2012! Agora sim! Eis aí o dia em que completarei (se Deus assim o quiser), 25.000 dias de vida.

23 de Maio! Será que essa data tem algum significado, ao menos para os paulistas, ou até mais propriamente para os paulistanos?

Sim, é uma bela Avenida, bem projetada, sem cruzamentos, de trânsito rápido (?). Uma Avenida que nos leva até o Aeroporto de Congonhas, que nos faz passarinhos, nos junta em passaredos, permite-nos voar. Só?

Embora ausente há tempos das páginas do São Paulo Minha Cidade, vez ou outra – quando me permite o tempo – aí busco reabastecer minhas saudades de uma São Paulo que os anos não trazem mais, como bem poderia dizer Casimiro de Abreu.

Distante, também, fisicamente da São Paulo que se alinha entre meus maiores amores, recorro a algum eventual leitor, que ainda cultive valores como o civismo (viram como sou antigo?), para que o mesmo me informe se, por estes tempos modernos, ainda se reverencia Martins, Miragia, Dráusio e Camargo?

Peço isso, pois assim, bem informado, posso trazer às minhas já cansadas retinas, numa ação mágica que só nós, os românticos, conseguimos: as imagens de minha infância, quando Dona Odila, a Diretora do Caetano de Campos, nos levava em silenciosa e organizada fila, até o local onde tombaram aqueles bravos heróis e, logo após explicar os motivos da breve caminhada cívica, pedia-nos a entoação do Hino Nacional brasileiro.
Acredito que não mais se façam caminhadas até ali, quase às portas da Kopenhagen de meus mais doces sonhos. Também sei que as tradicionais corbeilles de flores de então, já de há muito não se veem por ali.

Até mesmo o Estadão, que relembrava em manchete, nesse dia, a luta na qual os Mesquita se fizeram líderes, hoje não perde mais tempo com isso, pois a bomba A do Irã, a liberdade do Arruda e a morte de pinguins na Antártida, têm preferência de pauta, atraem mais compradores, produzem mais assinantes.

É muito provável que – respostas vindas – ao invés da imagem reformatada em minha retina ir aos poucos esvaecendo, nebulando ao sabor dos ventos das saudades, escorram face a baixo, levadas por incontroláveis lágrimas, iguais àquelas que teimavam em turvar as vistas do mesmo Casimiro, por não ver em Portugal palmeiras, como as havia cá.

23 de Maio! E o CQC já vai à meio… Deixei-me enlevar; aflorou-me o tal de civismo; coisa de velho! Se perdi alguma coisa boa, amanhã busco no You Tube e retorno ao mundo real. Afinal, os tempos são outros e sentimento é coisa de antanho.

Meu Deus: antanho; enlevar; quiçá; civismo… Não posso deixar meus filhos lerem isto. Se o fizerem, amanhã mesmo, nos e-mails trocados só para reafirmar Amor, com certeza ganharei o epíteto (mais um!) de jurássico.

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