São Paulo no tempo da eleição V

Em 1965 já em pleno regime militar, ainda havia espaço para uma eleição direta para um cargo executivo. Mas as eleições para prefeitos eram somente para cidades que tinham uma população com mais de 100 mil habitantes, daí para baixo os prefeitos eram nomeados pelo governador. E para essas eleições lá estavam Laudo Natél, como vice-governador do estado de São Paulo, representando o Ademarismo e Faria Lima ex. secretario da Viação e obras publicas do governo de Jânio Quadros. Mesmo estando Jânio Quadros, com seus direitos políticos cassados, ele tinha grande influência nos meios políticos no Brasil e, principalmente, na cidade de São Paulo. Jânio dava cartas e jogava de mão. Interferia, não só no resultado de uma eleição, como na política em termos genéricos. Uma indicação sua, era um eleito na certa. Fora esses dois candidatos, tínhamos correndo por fora, Pedro Geraldo Costa, o cronista do coração, radialista e deputado estadual. Ele tinha trânsito livre nos programas de rádio e televisão, e fazia uma campanha que chamava atenção pela sua originalidade. Certa ocasião apresentou-se no programa da Hebe Camargo, com um paralelepípedo na mão e a gravata virada para o avesso. Perguntado do porque andava com aquele peso na mão, e gravata do lado contrario, ele respondeu com a maior simplicidade. "O paralelepípedo é porque eu sou o Pedro da pedra. E, se você virar a minha gravata do lado certo verá a minha foto como candidato a prefeito". Sua originalidade não parava por ai, mandou colocar faixas na praça da república com uma calha em baixo, cheia de alpiste, o que chamou a atenção dos pássaros, que ficavam aos montes comendo o alpiste e dava ele a entender que aquilo era um milagre de Nossa Senhora Aparecida, sua santa devoção, desde os tempos das excursões a Tambaú, nas missas do padre Donizete. Pedro Geraldo tinha mais trunfos ainda para queimar na campanha. Tinha feito a chuva de rosas no Anhangabaú, saudando a chegada da imagem de Nossa Senhora, e mais tarde a vinda da Cruz de Cedro do Egito. Tinha a Farmácia do Povo na rua da Consolação, onde ele distribuía remédios de graça para o povo pobre, da periferia da cidade. Distribuía sacolinhas de Jesus, uma espécie de cesta básica para o povo da zona leste, setor da cidade onde o IBOPE registrava o maior índice de audiência para seu programa, das 6 horas da tarde na PRG-9 rádio Nacional. A ave Maria. Um momento de reflexão, que ele pedia para que os ouvintes colocassem um copo de água em cima do radio. Depois da reza, vinha a benção gravada pelo padre Donizete (Donizete Tavares de Lima) ai, esse povo deitava um copo de água benta pela garganta abaixo, e tinha a crença que todos os seus pecados tinham se extinguido, e que dias melhores estavam por vir. Apesar de tudo isso, ninguém levava a sério a candidatura de Pedro Geraldo Costa. Isso porque, ele tinha dois candidatos de peso pela frente. Em sua plataforma administrativa, Pedro Geraldo Costa, falava da construção de um hospital que seria construído por imigrantes de várias raças radicadas em São Paulo, Italianos, Libaneses, Judeus, Espanhóis, Portugueses. Cabendo a eles a construção desse hospital, Por exemplo: Cada andar do prédio teria a cor da bandeira do país que seus membros viessem a construir. Faria Lima, apontado pelas pesquisas, como o grande favorito e Laudo Natel vice-governador, com Ademar de Barros ao seu lado, eram os possíveis vencedores. Faria Lima, tinha como Slogan de campanha, a frase "Vote em Faria Lima e ganhe uma cidade nova" Já Laudo Natel, dizia que daria continuidade a excelente administração de Prestes Maia. (Alias todo candidato dizia isto.) Como Laudo Natel tinha chances de vencer, era bombardeado pelo fato de ser presidente de clube de futebol (São Paulo F.C.). O deputado estadual Gióia Júnior, Radicado na Vila Olímpia (Rua Professor Atílio Inocentti, que fazia parte da campanha de Faria Lima, chamava Laudo Natel de boneco esportivo. Laudo Natel dono de uma educação rara, nunca respondeu a acusações ou provocações. Instigado a responder dizia: "Na democracia todos tem o direito de falar o que lhe convier, e o outro de ouvir, ou até rir". No dia seguinte a eleição, tinha a apuração. A radio Bandeirantes como outras emissoras faziam a cobertura da marcha da apuração. Alexandre Kadunk diretor de OS TITULARES DA NOTICIA da rádio Bandeirantes, escalou o comentarista esportivo, Mauro Pinheiro, para comentar os resultados que vinham aparecendo no placar eleitoral. Um autentico estatistico, Mauro Pinheiro ficou surpreso com o numero elevado de votos, que Pedro Geraldo Costa estava recebendo. E esses votos vinham da zona leste da cidade. Mas isso não serviu de consolo para ele, Pedro Geraldo. Fazia muita fé em sua vitoria, tanto que abatido ficou uma semana sem rezar a Ave Amria na radio Nacional, sendo substituido por sua filha. Faria Lima venceu com 462.162 sufrágios. Depois veio Laudo Natél com 198.222, Auro Moura Andrade 121.076, Paulo Egidio Martins 90.003, Pedro Geraldo Costa 99.647 e Franco Montoro 52.502. Já para vice-prefeito o, vice de Faria Lima, deputado estadual Leôncio Ferraz Júnior, obteve, 314.650 votos. Mário Teles, 188.790, Manuel Figueiredo Ferraz, 161.820, Davi Lerer, 107.520. Faria Lima um carioca de Vila Izabel, foi o prefeito mais querido que São Paulo já teve. oficializou o carnaval em São Paulo, como parte do calendario comemorativo. Atendendo a um pedido do radialista Moraes Sarmento.
Em pouco tempo transformou, São Paulo num canteiro de obras.
Todas elas deixadas nas pranchetas por Francisco Prestes Maia, que nos dois primeiros anos de prefeito, (1961 a 1965) ficou somente a desenhar, pois o caixa da prefeitura tinha sido deixado a zero, pelo seu antecessor. Quando começou a colocar as obras na rua, seu tempo de mandato estava vencendo. Quando Faria Lima, ainda não tinha completado dois meses de prefeitura, Prestes Maia veio a falecer. Era o dia 26 de Abril de 1965. Seu corpo foi velado na Biblioteca Municipal Mario Andrade. Final da Avenida Ipiranga e começo da rua da Consolação. Foi o único político que fui ver no caixão.