No inicio dos anos 50, o Ibirapuera era somente um matagal com um estradinha estreita e asfaltada que fazia a ligação da avenida Brasil para a Vila Mariana. Nessa época ninguém conhecia como Ibirapuera, e sim Vila Puéra, era um jeito que a molecada dizia naquela época, sempre corrigido pelos adultos. Além do lago em que a gente ia nadar. Era somente árvores, muitos eucaliptos, e mais ao fundo perto da rua França Pinto o instituto Biológico. Ao lado um campo de futebol, onde a Portuguesa de Desportos treinava. Era muito gostoso ver Djalma Santos, Brandaõzinho, Julinho (Julio Botelho) Pinga, e muitos outros que brilhavam no futebol paulista e brasileiro. Djalma Santos, Brandaozinho e Julinho eram titulares da seleção brasileira, e jogaram, na copa do mundo de 1954. D. Santos jogou ainda em, 1958, 62 e 66.
Dizia-se na época que toda aquela área, era propriedade de uma viúva que teria doado o terreno a prefeitura para as comemorações do IV centenário da cidade, que seria comemorado em 1954. Quando o parque estava em obras era comum a quem estava sempre lá como eu e meus amigos que morávamos no Itaim, bisbilhotar tudo o que se via e fazia. O mausoléu aos heróis de 1932 estava sendo erguido também, e foi inaugurado bem depois de inaugurado o parque. O mausoléu are feito em blocos, e era construído num galpão ali dentro do parque mesmo. Quem construía era mestre Galileu, cujo nome a gente ouvia a toda hora. Depois fiquei sabendo tratar-se do escultor Galileu Emendabile. Em 21 de agosto de 1954, o parque do Ibirapuera estava sendo inaugurado, com muita festa. Tinha o parque Sangrilá, o museu de cera, a casa do Japão, o salão de exposições que ficou até o inicio dos anos 70. Depois foi transferido para o Anhembi. Tinha a lanchonete dentro do lago, onde se alugava um pequeno barco para dar uma volta. O parque Manequinho Lopes, um bonito viveiro de plantas e flores que existe até hoje.