No final dos anos 60 eu havia saído da escola Rainha Margarida e, como outros colegas, fui estudar no Grupo Escolar Romão Puigari (que entra burro e sai Saci). Sempre fui do tipo bem comportado, minha mãe era muito severa e se algo não fosse bem na escola eu iria sentir na pele, literalmente. No Romão Puigari os alunos entravam e esperavam o horário de subir para as classes em fila, num grande pátio atrás da escola. Volta e meia aconteciam brigas entre os meninos e dentre estes meninos havia um baixinho, que não recordo o nome, que estava sempre brigando. Eu nunca havia brigado, morava num apartamento na Benjamim de Oliveira, na zona cerealista, tinha uma irmã pequena nesta época. Minha vida era a escola, a casa e as visitas à minha avó, que era quando eu passava pela porteira do Brás para ir à estação do Norte e pegar a linha variante até o Itaim Paulista. Bom, certo dia em que estava no pátio de trás da escola, esperando na fila para subir para a classe, vi o já citado baixinho brigando. Eu olhei, fiquei subitamente intrigado e, numa fuga do meu juízo normal, disse ao menino : – Vamos brigar! Antes não tivesse feito tamanha besteira, foi um vexame, leitor ou leitora você não pode imaginar. Eu inexperiente naquela arte de moleques e o baixinho socou, chutou, derrubou-me e eu, no desespero, me agarrei às suas pernas. O danado não contente me arrastou pelo pátio. A partir deste dia me tornei pacifista!