Ando pelas ruas de São Paulo no calor da noite de outono paulista Tudo é bonito, tudo é sensual. Até mesmo me faz sentir deste modo.
Palmeiras na noite sem vento. Vejo estrelas entre a ramagem. Luzes. Carros. Casais de namorados.
Minha São Paulo. Minha São Paulo que agora é minha novamente. São Paulo a qual eu não tenho mais que me despedir e voar para longe, cortando o céu escuro e chegando numa Europa que jamais me pertenceu.
Alegria toma conta de mim. Falo com todos. Num minuto já fiz amizade com as pessoas à minha volta. Que diferença poder falar português, poder ouvir o sotaque paulista!
Acho tudo fabuloso. Acho as vozes dos homens macias e atraentes. Acho as mulheres simpáticas. Acho as pizzas muito melhores do que lá fora.
Saio pra andar. No restaurante, já fiz um amigo. Na rua, já encontrei uma amiga com quem troquei número de telefone.
Essa sou eu, a mulher descontraída, feliz, falante, que era como um canário tampado numa gaiola, andando contra o vento e a chuva de um país distante, com queimaduras de frio nos braços.
Essa sou eu, queimada de sol, usando roupas de verão em pleno outono paulista, tendo deixado uns dez anos do outro lado do mar.
No Campo Belo encontro um grupo de amigos queridos para a rodada de pizza. No Centro Cultural São Paulo almoço com meu filho. Ao lado de uma “floresta” tropical, encontro um amigo querido, ouço música ao lado de uma prima. Dias que valem a pena, dias de viver. Tiro fotos de tudo, como turista, mas não sou turista; eu moro aqui, esta é a minha cidade, meu povo e meu lugar. Obrigada, São Paulo.
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