O Esporte da Malha não parece, mas é um bom exercício físico. O Esporte da Malha é uma atividade esportiva como qualquer outra.
Na Antiguidade, os soldados romanos, nas horas vagas, pegavam as ferraduras imprestáveis dos cavalos e ficavam atirando contra uma estaca. Na Espanha há probabilidades de que tal atividade esportiva era chamada de “juego da Picota”. Também pode ser conhecido por outros nomes como “chapa” ou “bolos”; mas a meu ver, penso que se trata da “picota”, um jogo que era praticado nas aldeias.
Jogava-se malha na França, na Itália em tempos muito antigos e que não estão bem determinados. Fala-se do jogo de malha em 1840, mas a prova de sua existência vem de um documento francês de 1644.
Em Portugal, esse esporte e o arremesso de ferraduras sempre foram muito populares, com os nomes de “cinquilho” ou o jogo do “fito”.
Na Colômbia, o jogo da malha chama-se “Tejo”.
Já nos Estados Unidos, tem o nome de “Quoits” e é jogada com discos de aço (porém, com um furo no meio) e lançada à grande distância, objetivando atingir o pino que se encontra dentro de um círculo. Como o campo é de grama, o disco atinge o círculo e permanece ali enterrado.
Há o “Shuffleboard”, um outro tipo parecido de malha, entretanto, não existe pino; e no lugar do círculo podemos encontrar um grande triângulo com várias áreas demarcadas. O disco é lançado com um taco especial, e o campo também possui as bolinhas de plástico para deixar o disco deslizar.
E o “Curling”, um tipo de malha, contudo, tradicional dos jogos de inverno. Um tipo de pedra é lançado a fim de atingir o centro de um círculo à distância. No jogo tradicional sobre o gelo, os jogadores podem limpar a superfície a ser percorrida pelo disco enquanto ele se movimenta. Existe uma versão americana chamada de “Summer Curting”.
O jogo de malha foi levado para o Brasil por imigrantes portugueses. Documentos apontam que já no período colonial jogava-se malha em todo o país.
Há documentos que ainda provam que o jogo da malha foi um esporte praticado em São Paulo, na Rua 25 de março, desde 1890, onde os trabalhadores do local, terminado o seu dia de trabalho, praticavam o jogo da malha como divertimento, usando peças rudimentares como pedras, ferraduras, pedaços de chapa de ferro, variando de formato e tamanho. Os pinos não tinham o padrão certo, tudo servia.
Era considerado um esporte ou divertimento de pessoas humildes. Isso “pegou”. Todo mundo começou a “praticar” como um simples divertimento. Através dos tempos, este divertimento passou a ser um esporte.
O Esporte da Malha passou a ser um esporte realmente de impacto principalmente amigável entre os participantes e seus familiares, sendo uma atividade que desenvolve as habilidades manuais, a coordenação motora e o instinto de competição entre seus simpatizantes. E ainda requer uma boa dose de força física e boa saúde psíquica.
Em muitas localidades, ainda se joga como faziam os soldados romanos, com ferraduras. Mas, oficialmente, não se utilizam mais ferraduras. Elas foram substituídas por discos de metal em ferro fundido, hoje em aço especial, de aproximadamente nove centímetros de diâmetro. Seu peso varia de 550 a 700 gramas.
O Esporte da Malha é jogado num campo de 36 metros de comprimento e aproximadamente 2,5 m de largura. Antigamente, todos os campos, em todas as suas extensões, eram limitados por tábuas no sentido vertical, onde a malha lançada não poderia bater. Em cada uma das cabeceiras (duas), há um círculo de 1 m de diâmetro e no centro, um pino de madeira de 0,15 m de altura. O objetivo do jogo é derrubar este pino, que vale quatro pontos; e são dois pontos para a malha que ficar mais próxima ao pino.
Há um diálogo de nosso querido Nelson Sargento – carioca e compositor de MPB – que retrata o Esporte Clube Malha:
“Aqui não tinha muitas casas assim como tem agora
Tinha a escola Humberto de Campos
A escola ainda está no local, mas era pouco povoado isso aqui, era mais terreno aberto.
Tinha o boteco do Biu que era um boteco famoso.
A sede da escola era ali.
Aqui nessa direção tinha um lugar chamado Esporte Clube Malha.
Aquele disquinho de ferro, uns bastõezinhos assim.
Há muito tempo que eu não vejo esse negócio de malha, mas o Esporte Clube Malha São José era todo esse terreno aqui”.
O Esporte da Malha pode ser jogado individualmente, em duplas ou por 4 jogadores. O Campeonato Oficial é jogado com 4 jogadores, dois em cada cabeceira.
Como qualquer esporte, o Esporte da Malha tem as suas regras. Hoje com novas regras; mas antigamente o jogador não poderia ultrapassar a faixa situada antes do círculo. Nem poder arremessar a malha (disco) com os pés sobre a faixa. Se isso acontecer a jogada será invalidada.
Antigamente o jogador tinha, por obrigação, usar um tênis branco, calça branca, a camisa do Clube autorizada pela F.P.M. (Federação Paulista de Malha) e um boné de couro ou de outro tecido com o nome do Clube. O jogador não poderia encostar-se às paredes da cabeceira ou ficar em posição relaxada, pois poderia ser excluído do jogo.
Jogar malha não é difícil: o jogador lança uma de cada vez e ela desliza sobre a pista de areia (hoje as pistas são modernas) e terra firme atingindo o pino para ganhar os 4 pontos. Se a malha lançada parar dentro do círculo, computam-se 2 pontos.
Antigamente o Campeonato era disputado em três equipes: a primeira, a segunda e a terceira. A equipe terceira disputava até 100 (cem) pontos, vencia o primeiro clube que fazia os 100 (cem) pontos. A equipe segunda disputava até 120 (cento e vinte pontos) e a equipe primeira, 150 (cento e cinqüenta pontos). E era obrigado, nos jogos oficiais, colocar as bandeiras na entrada do Clube.
Hoje as regras são outras e a prática desse esporte, mais moderno, com muita técnica e perfeição.
O jogador tem que ter muita concentração no lance, equilíbrio emocional, não pode ficar nervoso com a torcida, uma boa mira (com o braço bom, como se diz na malha) para arremessá-la. Só treinando muito é que consegue ficar “bom”. É treinando muito que se aprendem as “manhas” até deixar “sapo” (uma malha lançada propositalmente para atrapalhar o lance do adversário).
E aprender algumas expressões populares conforme pesquisa do nosso querido professor Alexandre Luiz Trombelli (Xande), como: o jogo está no “bigode”.
Pesquisando, o nosso professor Xande descobriu que, devido ao fato dos dois lados do bigode estarem na mesma altura do rosto (emparelhados), faz-se uma comparação com o placar no jogo de malhas.
Dessa forma, quando a contagem de pontos está próxima, grita-se “está embigodando”, com a intenção de demonstrar que o placar está ficando com os dois lados iguais… Quando empata, “embigodou”, formou um bigode, ou seja, os dois lados do placar estão na mesma altura… Assim como os dois lados de um bigode.
Com a chegada dos Jogos Regionais e Jogos Abertos, o Esporte da Malha mudou muito.
Todas as cidades e clubes estão investindo em jovens. Como exemplo: o Atual Campeão Brasileiro, a média de seus jogadores é de 20 (vinte) anos.
Em São Paulo existem 65 (sessenta e cinco) clubes filiados à F.P.M. (Federação Paulista de Malha), onde se pratica o jogo de Malha. Agora com seu novo Site: www.federacaomalha.com.br. E na C.B.E. (Confederação Brasileira de Esporte), temos 440 (quatrocentos e quarenta) clubes filiados; sendo o E.C.M.L. (Esporte Clube de Malha Luzitano) um dos fundadores da F.P.M. O Clube dos Previdenciários de Brasília é o único a possuir uma quadra para o desenvolvimento dessa modalidade deste esporte.
Na época dos anos 30, onde só era mato, não havia muitas residências pelos arredores. O E.C. Malha Luzitano teve muitas dificuldades para nascer. Mas graças ao espírito de colaboração, amizade e união entre os portugueses, o clube conseguiu sobreviver.
Com suas dependências modestas, tornou-se um dos melhores clubes de malha de São Paulo. E foi um dos primeiros clubes a ser filiado na F.P.M.
Seus campos foram escolhidos para o Torneio da Liga do Interior.
Foi fundado em 1º de março de 1932, escolheu o seu brasão e adotou a Cruz de Avis em seu distintivo desde sua fundação. Com sede na Rua Chico Pontes, nº. 699, no Bairro de Vila Guilherme, na Zona Norte de São Paulo/Capital, foi fundada por um grupo de portugueses e amigos, formando primeiramente um conselho para depois proclamar o seu Presidente.
Lembro-me de diversos conselhos: Alberto Alves de Carvalho, Américo de Almeida, Antonio de Almeida, José Emilio Martins, José Nunes, Martinho do Nascimento, Herculano de Jesus, Raimundo Gonçalves Duque, Mário Menezes e Mauro Francisquette.
Foi também nesta época que adotaram como mascote do clube a “jararaca”, idéia de Antonio Varella e Manoel Alves de Carvalho (Pula).
Como disse, houve diversos conselhos e presidentes, como o Sr. Martinho do Nascimento.
Hoje eu destacaria a grande diretoria que conseguiu a sede própria do E.C.M.Luzitano na Rua Capitão Luiz Ramos, 73, no mesmo bairro. Hoje com novo nome: E.C. Recreativo Lusitano, com “s”, onde o Sr. Antonio Lico, como Presidente do Clube e seus membros, Alberto Alves de Carvalho, José Nivaldo Violini, Ernesto Lico, Amílcar S.F. Alves Casado, Antonio Varella, Américo de Almeida, Mário Menezes, Egilio D’Aprilia, Mauro Francisquette, Francisco G. Rico, João Antonio Loução, Eduardo Casado, Mario Marola, José Loureiro e Edgard Martins como representante do Clube na F.P.M. (Federação Paulista de Malha).
No dia 21 de março de 1985, o vereador Gabriel Ortega, na Câmara Municipal de São Paulo, concede a Medalha Anchieta e Diploma de Gratidão da Cidade de São Paulo ao Diretor do E.C. Malha Luzitano, Sr. Ernesto Augusto da Fonseca Lico. O E.C. Malha Luzitano, foi chamado de “O Clube da Elite de Vila Guilherme”. Um Clube familiar. Seus campos eram ao ar livre.
Foi o primeiro Clube de Malha a ter seu campo pintado, em 1968. Tempo dos hippies, dos jovens sem lenço e sem documento no festival de Woodstock. Foi chamado na época de “Campo Psicodélico” e na sua inauguração, muitos convidados e o Sr. João Moretti, Presidente da F.P.M. estavam lá presentes.
Para ser o que é, o Clube passou por muitas dificuldades. Tornou-se um dos melhores Clubes de malha de São Paulo, conquistando diversos campeonatos; tendo como principal título o de “Campeão do Jubileu de Prata da F.P.M. em 1958” com a equipe: Carvalho, Edgard, Herculano e João Marmita. E em 1969 foi campeão das três turmas, título muito difícil de acontecer no Esporte da Malha.
As festas do Luzitano eram famosas, aguardadas com muita ansiedade pela Comunidade e Sócios.
Hoje, o Lusitano com “s”, participa e promove torneio frequentemente. Na nova sede do clube há um lindo acervo de troféus e diplomas. Nós, adeptos do Lusitano, sentimos muito orgulho e nos sentimos honrados quando recebemos visitas e mostramos esses prêmios, contando-lhes como foram ganhos…
Mas o E.C.R. Lusitano não é só malha, têm a bocha, o futsal e um belo salão no andar superior para os jogos de dominó, cartas (suéca) e bilhar. Possiu um Bar, onde são servidas as cervejas bem geladas, o vinho, a famosa “Alheira Portuguesa”, e as sardinhas na brasa.
Continua com as famosas festas: juninas, do vinho, da cerveja… Tudo para unir mais os sócios, fortalecer os laços de amizade e harmonia existentes no clube. Onde, todos os dias, lá pelas 16h, começam aparecer o “pessoal” para jogar uma partida de malha.
A Diretoria do Lusitano continua trabalhando para modernizar o clube e poder divulgar mais o Esporte da Malha. Pelo número de praticantes, esse esporte deveria ser muito popular. Porém, a realidade é outra.
Não só o Lusitano, como todos os clubes, sentem a falta de apoio. Espero que melhore e, daqui algum tempo, o Esporte da Malha esteja popularizado como outras modalidades esportivas.
Não poderia deixar de prestar aqui uma pequena homenagem a um dos maiores colaboradores que o E.C.R. Lusitano tem. Desde jovem participa com amor na diretoria, é jogador, representante na F.P.M. e um antigo e excelente árbitro na F.P.M., com registro de número 6 (seis). Durante toda a minha vida muitas pessoas passaram por mim, dia após dia. Mas somente algumas dessas pessoas ficarão para sempre em minha memória. Uma destas pessoas é o querido amigo Armando Pereira Veloso, que levarei para sempre em meu coração. Ele é muito especial para o Esporte da Malha, um lutador, sem medo de derrotas. Sua amizade para mim tem um valor enorme, e nada do que eu possa dizer ou escrever pode ser tão especial ou mais significativo do que sua amizade e amor ao esporte da malha.
Este é o meu pensamento em levar adiante e tornar realidade este ideal. Venham nos visitar, as portas estão abertas. É uma casa portuguesa, com certeza, com quatro paredes caiadas, um cheirinho ao alecrim, um cacho de uva doiradas, duas rosas no jardim. Um São José de azulejos, mais o sol da primavera. Uma promessa de beijos, dois braços a sua espera!
Avante, Lusitano!
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