Meu nome é Sergio Braga de Faria. Nasci, cresci, estudei, casei, separei, tive meus quatro filhos (Thiago, Danillo, Sophia e Thainá) no bairro da Praça da Árvore, zona sul da cidade.<br><br>Minha mãe, Guiomar da Rocha Estremeira, nasceu em 1927 no bairro do Bexiga, mudou-se quando criança para a Praça da Árvore, onde até hoje, não existe sequer uma grande árvore de referência. Segundo ela, havia no local, na esquina da Avenida Jabaquara com a Avenida Bosque da Saúde, apenas um ponto final do bonde que ia do bairro para a "Cidade" e vice-versa. <br><br>Até hoje ela relata experiências vividas na infância, nas caminhadas pelas chácaras no bairro de Mirandópolis, Planalto Paulista, Saúde, Praça da Árvore. Acompanhou o pouso e decolagem de pequenos aviões, no chão batido de terra, do aeroporto de Congonhas. Acompanhada das primas pequenas, seguia da Rua Teresinha Gonçalves até o local onde mais tarde foi construída a Avenida Indianópolis e muitas das casas do Planalto Paulista. <br><br>Trabalhou desde cedo na tecelagem Sant'Anna, que ficava na Rua Fiação da Saúde, próximo da hoje estação Saúde do Metrô. Foi lá que ela, tecelã, conheceu meu pai, Sebastião Braga de Faria, mineiro de Rio Pomba, Minas Gerais. Recém chegado a São Paulo, tão logo foi dispensado do Exército Brasileiro, após o fim da segunda guerra mundial, em 1945. Foi paixão à primeira vista. Casaram-se e com dificuldades, alugaram uma casa na antiga Rua Linda Batista, mais tarde rebatizada de Alameda dos Guatás. <br><br>A casa era do Seu Jacób Bamkowisk, marceneiro, imigrante polonês. A minha madrinha de coração Laura Moraes, portuguesa, que se casou com o viúvo polonês. Não teve filhos, mas ajudou criar o Antônio, engenheiro aeronáutico do ITA e outros de coração. Nessa casa, uma das primeiras do bairro (teve a ligação elétrica em 1932), moraram meus pais Tião e Mazita.<br><br>Lá nasceram seus quatro filhos, Marco Antonio, Eliete, Nelson e eu, Sergio, o caçula. Minha mãe morou na mesma casa por 60 anos, até a morte da "Laurinha". Lembro de o meu pai levantar de madrugada, tomar um gole de café e seguir para o trabalho. Trabalhou muito tempo na entrega de botijões de gás. Era conhecido pelos amigos como "Tião do Gás". Minha mãe, Mazita. <br><br>Na Alameda dos Guatás conheci os irmãos Aníbal e Toninho, Edison, Galego, Cascão, Osnaldo, Roberto "Piú", que partiu cedo. Lembro dos doces do "Seu Simão". Minha mãe comprava nossos calçados na Casa Real, na Praça da Árvore. Vi, na estação Saúde, ao lado do antigo prédio da Telesp, ser dada a "largada" para a construção do Metrô paulistano, sentado nos ombros do meu saudoso pai. <br><br>Estudei na Escola Cruzeiro do Sul, hoje Lourenço Filho. Não esqueço da minha primeira professora, Dona Cirene. Das manhãs de domingo que caminhava pelas ruas do Planalto Paulista, em direção à Igreja de São Judas, para minha primeira comunhão. Do colégio Alberto Levy, na Avenida Indianópolis. Do Rui Bloem, da Igreja de Santa Rita, Rua das Rosas. <br><br>Que saudades dos "peixinhos" e banhos escondidos no córrego onde hoje é a Avenida José Maria Withaker. Moro hoje no Planalto Paulista. Vejo os bairros da Saúde e Praça da Árvore crescer a cada dia. Tenho que fazer uma declaração de amor, incondicional: Amo meus filhos, minha mãe, minha Luzia. Sinto saudade da minha infância na Alameda dos Guatás. Amo São Paulo…<br><br><br>E-mail: [email protected]