São Paulo, uma lição de vida!

Lá pelos idos de 1969, fui morar em São Paulo pela primeira vez. Precisava dar continuidade aos meus estudos, que eram bastante específicos. Estudei em uma escola hoje extinta, de nível médio, criada pelo então Governador Carvalho Pinto, O Ginásio Vocacional. De conteúdo tecnológico, estava á frente de seu tempo muitas décadas. Foram poucas unidades implantadas em algumas cidades do interior paulista e uma na Capital São Paulo.<br><br>Após o término da quarta série ginasial, para continuar com o mesmo currículo escolar do então Ensino Básico (hoje Colegial) do Vocacional, a única forma era eu ir para São Paulo e concluir o Colegial no Ginásio Vocacional Oswaldo Aranha. Situação muito apreciada por nós jovens da época. Como escola vanguardista, ensinou-nos a sermos cidadãos participativos e transformadores de nossas sociedades. Enfim éramos fermento em nosso meio. Tínhamos a exata compreensão da nossa responsabilidade social com o nosso mundo.<br><br>Nessa época São Paulo para mim era uma selva de pedra a ser conquistada. Nunca me esqueço do cheiro que vinha das chaminés das padarias quando saía uma fornada de pão. O cheiro era embriagador, delicioso. Até hoje, de recordar, me vem aquele cheiro que em outro lugar nenhum senti, como senti em São Paulo.<br><br>Morei por seis meses no bairro Higienópolis, mais precisamente na Rua Maranhão, não me lembro o número, só que era um apartamento que dividia com uma prima. Lembro-me que para economizar um ônibus, descia a pé às seis horas da manhã a Rua Maranhão até a Avenida Angélica, e de lá continuava até as escadarias do pontilhão da Avenida Nove de Julho. Tinha um vendedor de moedas antigas que ficava bem na entrada da escadaria e sempre que podia parava para observá-las. Já na Avenida Nove de Julho, pegava o ônibus até o Brooklin, onde ficava o Vocacional Oswaldo Aranha, na Rua Pensilvânia. Era uma viagem. Estudava até meio dia e meio, voltando para casa almoçava, em seguida ia para o trabalho, porque o currículo da escola assim exigia.<br><br>Trabalhei como assistente de secretária, meio período em um escritório de desenvolvimento do nordeste que também ficava no bairro Higienópolis. Como eram tempos difíceis para minha família tornou-se inviável minha permanência em São Paulo. Precisei voltar para minha cidade, Barretos, no interior norte do estado de São Paulo. Nesta época tinha apenas 16 anos.<br><br>Na segunda vez que morei em São Paulo, foi no ano de 1971, após ter me casado com um engenheiro da minha cidade formado pela Politécnica USP, treze anos mais velho do que eu.<br><br>Fui morar no bairro Cambuci, na Rua Carlos Teixeira de Carvalho. Ali morei por oito anos, tive o meu filho mais velho que nasceu em 1974, no auge do surto de meningite que ocorreu no Brasil naquele ano.<br><br>Vim ter meu bebê em Barretos, e por aqui fiquei por quatro meses, até meu filho adquirir maior resistência, para então voltarmos para São Paulo. Todos nós fomos vacinados em uma praça pública da cidade, pois o surto de meningite estava tão grande e com perdas de muitas vidas, que postos de vacinação se espalhavam por inúmeras praças da cidade de São Paulo. Verdadeiros mutirões de vacinação aconteciam na cidade naquela época, vacina esta desenvolvida na França.<br><br>Dali mudei para o bairro de Moema, que estava num período de verdadeiro expansionismo imobiliário, onde vários arranha-céus surgiam todos os dias. Tive meus outros dois filhos no hospital Alvorada na Avenida Ibirapuera. No bairro de Moema morei na Rua Diogo Jacomé e depois na esquina da Rua Canário com Avenida Macuco. Um bairro que lembrava a topografia da minha cidade, todo plano. E onde moravam muitos barretenses. Meus filhos estudaram na escola Móbile.<br>Vários restaurantes se espalhavam pelo bairro, na sua grande maioria temáticos. Como o João Sen, Winduk, Os Profetas, As Noviças, Bier Hale etc.<br><br>Ainda podíamos contar com o Shopping Ipirapuera com apenas dois pisos, mas já com excelentes lojas e restaurantes. A igreja Nossa Senhora Aparecida, onde meu filho mais velho fez sua primeira comunhão, na Avenida Ibirapuera. <br><br>A feira de domingo ficava na Avenida Lavandisca. Perfeita e completa, onde compramos para os filhos uma tartaruguinha que mais tarde veio a ser criada aqui em Barretos na casa da minha sogra. Com o falecimento dela doamos a tartaruga para o Ibama, através da Secretaria do Meio Ambiente da cidade.<br><br>Na cidade de São Paulo aprendi a viver, voltei de lá sabendo ser forte diante das adversidades, tive uma parte de minha vida vivida lá, por dezesseis anos, que me trouxeram vivências, maturidade, iniciativa, que contribuíram com o meu crescimento como ser humano. Por isto sempre serei grata a São Paulo e sempre amarei esta cidade.<br><br>E-mail: [email protected]