Nossa, lá se vai mais de 40 anos, quando fiz naquela época o que se chamava primário no Grupo Escolar Doutor Murtinho Nobre. Lá tinha o "prézinho", depois com sete anos íamos para o primeiro ano. Lembro-me até hoje, e falo para os meus filhos da Professora Dona Benedicta, do primeiro ano, quem me ensinou a escrever, ler, enfim todo o começo. Sou muito grato a ela e a todas as professoras com as quais fui aluno. <br><br>Geralmente todos os meus amigos da rua em que morava, Rua Clodomiro Pereira, estudavam na mesma escola, porque escola particular era muito cara, e o ensino Estadual era equivalente, não havia necessidade de outra. Na saída era aquela folia, todo mundo subindo a Rua Ouvidor Portugal até chegarmos em casa. Ninguém pegava ônibus, perua escolar, nem existia. Era assim, tudo simples, normal. <br><br>O recreio, isso já no quarto ano primário era separado, meninas de um lado, meninos do outro. A gente ficava do nosso lado tentando se aproximar da menina que a gente queria falar, namorar, mas a Dona Carmela, grande Dona Carmela, tinha um sino. Sino esse que batia insistentemente para avisar que a hora do recreio terminou. Ela tomava conta da gente, era muito esperta e viva, não permitia de jeito nenhum que nos misturássemos. Depois, com o tempo, o recreio passou a ser livre, acho que na mesma época em que começaram as classes mistas, porque antes eram só meninos ou só meninas. <br><br>Dona Carmela abria a Escola, esperava todos entrarem, e fechava o portão. Ninguém mais entrava, ela era rígida no horário, cuidava da gente como se fosse nossa mãe, repreendendo, ensinando, e nós obedecíamos, afinal ela era muito "forte e grandona". Não só por isso, mas porque tínhamos sido ensinados a respeitar todos dentro da Escola, seja quem fosse, e a Dona Carmela era uma simples servente, mas lidava com todos como se fosse a diretora, e fez isso muito, muito bem.<br><br>Tempo que não volta mais, tenho muita saudades de tudo isso, era maravilhoso. Hoje ainda tenho amizade de alguns amigos que viveram nesta época e nos lembramos como foi boa a nossa infância na Vila Monumento. Brincávamos muito com carrinho de rolimã na descida da Rua Antonio A. Covelo, descendo pra Barroca e indo até os fundos do Hospital Militar. Às vezes tínhamos que sair correndo, porque vizinhos queriam pegar o carrinho, pois fazia muito barulho no asfalto. Mas fazia parte, era muito legal, apesar do perigo que, é claro, a gente nem ligava. Ninguém se feriu com carrinho de rolimã, salvo às vezes uns arranhões, normais no carrinho.<br><br>Tudo isto foi nos anos 60 a 70, época de ouro, abraços a todos.<br><br><br>E-mail: [email protected]