Uma fazenda que virou bairro

Aproximadamente em 1956, meu pai saiu da Rua Aratitaguaba, na Vila Maria, onde estava estabelecido com uma loja de ferragem, que ficava quase defronte da Igreja da Calendaria. A Igreja localizava-se ao lado da padaria do Sr. Novaes, que tinha um filho, Ivo, o qual sempre brincava comigo.<br><br>Muitas pessoas que moravam na Vila Maria mudaram-se para a Vila Medeiros, pois diziam que a família Medeiros loteou sua fazenda para formação do bairro. E esse foi nosso destino: ir para o novo bairro, Vila Medeiros. Tínhamos nossa casa própria, coisa que não ocorreu na Vila Maria.<br><br>Naquela época, a Vila Medeiros não tinha eletricidade, água encanada, ônibus. Vivíamos praticamente isolados, já que o comércio era muito pequeno.<br><br>Próximo à minha casa havia o Bar do Bigode, a delegacia, a venda do Sr. José.<br><br>Meu pai teve que arrumar um emprego e, para isso, pegava o “Pau de Arara”, que era uma espécie de caminhão o qual as pessoas viajavam em sua carroceria, segurando-se em uma corda que atravessava a carroceria. Então, meu pai descia em um bairro mais central, Vila Munhoz, para pegar o ônibus rumo à cidade.<br><br>Como não havia luz elétrica para iluminar as casas da Vila Medeiros ao anoitecer, minha mãe, juntamente com os outros vizinhos, sentava-se nos degraus da escada, com o lampião à querosene e todos contavam histórias diversas, enquanto as crianças brincavam de esconde-esconde, cirandinha, passa-anel, pula corda, pois nossos pais chegavam muito tarde de seus trabalhos. Todos brincavam até madrugar na rua, sem nenhuma preocupação.<br><br>Em 10 de dezembro, ocorria uma grande festa na Igreja Nossa Senhora do Loreto (Padroeira dos Aviadores). Os aviões sobrevoavam a região jogando flores em comemoração à santa.<br><br>Naquela época, eu podia respirar aquele antigo clima de fazenda. <br><br>E-mail :[email protected]<br>