Saí do sertão e fui cultivar café no Município de Votuporanga-SP. Eram sete mil pés de café, quanto trabalho! O arado era puxado por cavalos e bois, eu era magrinho e mal dava para segurar o arado; tudo era difícil. Durante o dia trabalhava, à noite estudava numa escola rural próximo à fazenda.
Um dia disse: vou tentar a vida na cidade. Nessa época tinha 14 anos, obtive ajuda de minha mãe, que morava na Capital, em São Paulo. Fui e não me arrependi. Trabalhei de office-boy, auxiliar de escritório, como office-boy foi num escritório de advocacia na Praça da Sé nº 58, em 1.967.
Vi a revolta de estudantes da UNE, queimando carros na Praça da Sé. Tempos da ditadura, o escritório era do Dr. Sílvio, cujo sobrenome não me recordo, foi o começo para mim e para minha mãe, que trabalhava de doméstica em sua casa. Estudei, tive ajuda de várias pessoas, algumas delas não me lembro nem o nome, mas não esqueço do Gildo, meu chefe nesse escritório; trocava a marmita com ele, minha mãe colocava peixe e eu não gostava….
Trabalhei com Lorenzo Caputto, italiano recém chegado ao Brasil. Distribuía peças elétricas de comando, o principal objetivo eram as obras do metrô, recentemente começadas na época. Estudei no colégio Lasar Segal, na Vila Mariana, quantas boas recordações! Era o ano de 1.970. Concluí a 8ª série e fui para o Técnico em Contabilidade, estudei na ESCOLA TÉCNICA DE COMÉRCIO CARLOS DE CARVALHO, situada na Liberdade, Rua Galvão Bueno.
Lembro-me como se fosse hoje dos amigos José Oswaldo Rodrigues, da Vânia, do Otaviano, do Cabo Wilson (bombeiro) e tantos outros que não me lembro os nomes; dos professores, da comissão de formatura, que eu fui Presidente, da festa de formatura realizada no Circulo Militar.
Trabalhei em diversos estados brasileiros, época em que fui Gerente Contábil do Carrefour, depois do Pão de Açúcar e por último no Comper de Campo Grande-MS. Ao todo foram 35 anos trabalhando em supermercados. Hoje vivo com minha família em Campo Grande-MS, onde me considero um ‘Sul-Matogrossense’ de coração.