– Pedro como vocês chamam às botinas dos jogadores aqui no Brasil? Pergunta o meu cunhado americano.
– São as chuteiras. Mas no meu tempo, quando jogava, o nome era outro, a gente falava chanca.
– Chanca!
– É. Chanca.
Lembro que isso era no tempo do goal-kepper, dos alfos, no tempo que quem apitava era só o juiz por que não tinha bandeirinhas, e o Pacaembu tinha ainda a sua concha acústica. Outros tempos… Uma ocasião que me recordo bem, também em 1957, é quando o meu pai ia me levar para jogar futebol no campo do Anhanguera.
Ficava no final da minha rua, na frente do Perequê, onde está hoje o Wall Mart, ao lado do Fórum da Barra Funda. Os preparativos eram feitos no dia anterior quando minha mãe me arranjava sebo dos bifes de casa para eu passar nas minhas chancas. Depois de ensebar bem dava um lustro e tava pronta para qualquer chute!
Naquela ocasião apareceu um jogador do clube e fez umas jogadas para o meu pai ver. Aí ele pede para eu tentar tirar a bola dele. Com os meus sete anos, lembro muito bem do cara com aquela bola rodando e rodando, ele se movimentava e prendia a bola pelo calcanhar e a redonda dava um giro e caia na frente batendo na outra perna, quando ele pegava novamente com o calcanhar e a bola girava de novo em seqüência. Ele ia andando e a bola ia girando.
No que ele se aproximou mais de mim, dei um chutão e nem sei como a bola voou longe. Fui correndo atrás dela e pensei que ele fosse vir atrás também. Mas não foi. Ficou ele e meu pai pedindo a bola para mim. Eles estavam no gol perto do barranco da Piraquê que servia de arquibancada.
Eu estava com a bola no outro gol. Acho que eu levei uns cinco minutos para devolver, afinal quando eu iria conseguir tirar a bola de novo de um cara tão maior que eu?!
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