Nascemos, meu irmão e eu, na cidade do interior de São Paulo; Pongaí, que em tupi-guarani quer dizer "Saltinho d'água" e que por coincidência era dentro da fazenda de nossa família e que deu o nome à "cidade"
Nos primórdios dos anos 50, ainda meninos, mudamos para a Capital Paulista, precisamente, na então Rua Manuel de Nóbrega, aqui no Brooklin/Banespa. Nossos pais adquiriram um grande casarão, que naquela época já era considerado antigo.
Era um “sobradão” que ficava em uma esquina e na parte de baixo era o Empório Pongaí. Secos e Molhados, cujo comércio era bem abrangente. Tinha desde bacalhau até arroz, feijão, pinga, doces, cigarros, etc. Na parte superior ficavam os dormitórios e ante-sala e sala de visitas, com amplas janelas que davam vista para ambos os lados do casarão, para as duas ruas.
Em baixo, na parte frontal/lateral era o Empório propriamente dito e em sequência à lateral, se estendia, como parte térrea, havia três saletas, as quais meu pai alugava para barbeiro, sapateiro e "quarto" que servia de dormitório para rapazes. Depois vinha o portão, a garagem, mais para o fundo o jardim e um "barracão" onde era o que hoje diríamos, "salão de jogos" e ponto de encontro da meninada, nossos amigos.
E ainda na parte interna, havia o "depósito" de mercadorias, a cozinha, o banheiro e sala de estar. Este casarão foi o ponto referencial de todo o bairro. Os encontros se davam sempre no Empório Pongaí, quer dos vizinhos para bebericar e de nós garotos para nos entretermos e dali partirmos para brincarmos, sempre em grupo.
Os anos foram passando, da infância à adolescência e até início da vida de adultos lá vivemos, no Casarão. Os amigos foram partindo para outros destinos, novas residências surgindo nas imediações, ruas sendo calçadas de paralelepípedos e pequenos comércios surgindo também. Só o Casarão lá permanecia como imutável à ação do tempo e aos apelos do "progresso".
Hoje, se comunicando, raras vezes, quer por telefone ou pessoalmente com amigos de outrora e distante infância, todos, a primeira coisa que mencionam, é a saudade do "Casarão do Empório Pongaí" e perguntam: – ele ainda existe? Num misto de nostalgia e tristeza, digo: – Não, agora há um prédio em seu lugar…
O Casarão se foi, somente a saudade ficou…
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