Os verdadeiros boêmios

Eu gosto de escrever sobre a boêmia em São Paulo da década de 50 a 60 eu e os meus amigos frequentávamos as boates, os salões de bailes, os barzinhos, os clubes. Nós todos trabalhávamos, de segunda a sexta feira e nos fins de semana íamos para o crime. Naquela época queria dizer as bocas.

Sempre existiram dois tipos de boêmios, os que frequentava as boates e os que só ficavam olhando os verdadeiros boêmios entrarem. Era assim na boca do luxo. Nos salões de bailes e nos carnavais. Os falsos boêmios andavam sempre sozinhos nunca vi acompanhado de uma mulher.

Os falsos boêmios tinham inveja da gente, porque nós estávamos sempre bem acompanhados. Conheci uma mulher maravilhosa, ela tinha sido eleita Miss São Paulo. Não vou citar o ano por questões de respeito, pois hoje ela é avó, eu continuo com uma grande amizade com ela.

Eu e mais três amigos tínhamos um pequeno apto alugado, os casados usavam de dia e os solteiros à noite. Era uma farra bem sadia, nos divertíamos muitos. Conheci vários tipos de pessoas, rufião, bandidos, pugilistas, jogadores de futebol, empresários, cantores, artistas de TV e cinemas. Na calada da noite que você conhece todos eles e durante o dia eles nem te conhece.

Naquela época era fácil fazer amizade à noite. Hoje a boêmia tem sentido diferente, as músicas são outras, não existe mais aquele romantismo de antigamente. Aquele charme que nós tínhamos, sempre bem vestidos, sapatos de bico fino, cabelos bem penteados, não usávamos drogas. Eu sempre digo para os mais jovens, éramos os verdadeiros boêmios de São Paulo.

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