Meu quintal na Freguesia era enorme, isso na década de sessenta. Tinha sapos, tinha grilos, gafanhotos e pererecas, tinha minhocas, tinha aranhas, formigas então, tinha de montão. Tinha patos e galinhas, tinha gansos até mesmo uma marreca. Tinha mamão, jabuticaba e eu nunca saia de casa, para comprar uma goiaba.
São Paulo era tão gostoso e o meu quintal uma festa. Não havia asfalto na rua, e para não levantar poeira o pessoal da prefeitura sem raio e sem trovão trazia uma chuva fininha, passeando de caminhão. Molhando o pó daquele chão. Como era gostoso o cheiro da terra molhada, a garotada descalça corria… Era a festa da molecada.
E quando chegava São João muita gente fazia festas. Eram fogos, foguetes, balões, e muitos estouros de Rojões. Bombinhas para todo lado. E para essas festas bonitas, todo mundo era convidado para comer batata assada, pipoca, queijo com goiabada, amendoim torradinho um saquinho com pinhão canjica, arroz doce, o esperado quentão e umas broas de fubá. São Paulo naquele tempo tinha bonde aberto e camarão.
Todo mundo jogava bola, pois tinha campo para todo lado. Quase não tinha ladrão. Tinha o homem da prestação, tinha leiteiro e padeiro no portão. O salário era pouco, mas a vida era mais barata. Tudo na base do vintém e ainda para ir a Santos a gente pegava trem.
Minha São Paulo ainda é gostosa, mudou muito é verdade ficou enorme e moderna. Novas pontes e viadutos. Que eu às vezes nem a reconheço, olhando-a de minha janela. Tenho até dificuldades de andar pelas ruas dela, mas continua bonita e acolhedora. E eu mesmo estando longe continuo como criança, sentindo paixão por ela.
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