Os trólebus na vida de São Paulo

No início da década de 70, eu estudava no centro da cidade de São Paulo. Era uma época difícil com o metrô mudando a fisionomia da cidade.

Eu adorava ir e voltar nos trólebus, alguns já com quase 30 anos de uso, e os mais novos construídos pela CMTC. Meu favorito era o "Massari", moderno com grande área envidraçada e que tinha até freio de emergência.

A volta para casa era na linha "Gentil de Moura", normalmente servida por um trólebus pequeno chamado de Vilarinho. Depois mudei de escola, comecei a trabalhar e alguns anos depois entrei na faculdade no bairro de Higienópolis.

Pensei na felicidade de passar os próximos cinco anos indo e voltando no velho trólebus, mas descobri que ele estava desativado em virtude da construção da estação República do metrô. Foi difícil passar tanto tempo em um ônibus pequeno, apertado e fumacento, logo eu que mesmo antes de ganhar minha primeira bicicleta, ia a pé até a garagem dos trólebus na Rua Machado de Assis na Aclimação.

Depois de formado, fui efetivado na empresa que estagiava, e dois anos depois já na década de 80 recebi uma proposta de emprego no bairro do Pacaembu. No dia em que ia levar meus documentos a nova empresa, fui à praça para esperar o pequeno fumacento a diesel, que como de hábito demorava uma eternidade.

Passados alguns minutos surge uma grande carreata, uma banda de música no interior de um antigo bonde, ônibus antigos, enfim tudo isso escoltando os novos trólebus recém saídos da fábrica. Que passariam a operar na pioneira Machado de Assis, Cardoso de Almeida, a primeira linha de trólebus do Brasil.

Hoje passados quase 30 anos, ainda na mesma praça vejo um novo trólebus chegando, piso baixo, moderno, confortável, trazendo uma nova tecnologia de motor de corrente alternada, que lhe garantira mais algumas décadas de vida.

Sinto-me um pioneiro, como todos os governantes dessa cidade que acreditaram no trólebus, dos funcionários da CMTC Companhia Municipal de Transportes Coletivos que tiveram a audácia e coragem de fabricar ônibus elétricos no Brasil. Quando a regra era destruir tudo que era considerado contra o progresso, trolebus e bondes, em nome de um metrô que passados 40 anos ainda não chegou onde deveria estar a muitos anos.

Só São Paulo poderia Ter uma história como essa, e é por isso que amo essa cidade.

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