Eram as férias escolares de julho de 1963, meu pai tinha de viajar a trabalho para Salvador de automóvel e resolveu levar os dois filhos maiores, Alex e Ernesto para aproveitar o "passeio". Numa época em que a distribuição de carros era muito deficiente no país com suas grandes distâncias, várias regiões do norte e do nordeste não recebiam veículos suficientes para atender a demanda.
O transporte era como hoje via caminhões-gaiola e onde tinha ferrovia existia o auto-trem. Com vagões simples e sem laterais onde cabiam três fusquinhas ou dois Aero-Willys. Muitas pessoas iam dirigindo seu veículo do interior para Sampa e na volta embarcavam o carro no auto-trem e seguiam com a família no trem dormitório. Bons tempos!
A deficiência na oferta dos carros novos na Bahia, fez meu pai colocar em prática o seguinte comércio, após adquirir uns quatro ou cinco fuscas zero quilômetro em São Paulo, seguia para Salvador. Lá na capital da Bahia já existiam os comerciantes interessados em receber os carros e até existia fila para comprá-los.
Por mais maluco que se apresente tal projeto nos dias atuais, naquela época era viável, pois havia poucas concessionárias. E com o dinheiro em espécie recebido pelos "besouros" eram comprados quinze a vinte outros veículos usados de todas as marcas, Aero, Itamaraty, Simca, Rural, Jeep, e JK.
Os caminhões também chamados de "cegonha" em geral voltam vazios e meu pai contratava dois ou três deles caminhões para trazer os seus veículos usados. Depois de uma revisão que durava uns dez dias os carros baianos eram colocados na loja da Rua Guaianazes, e tinha grande procura, pois existia garantia de motor, já naquele tempo.
Um hábito curioso que as pessoas chamam de "tocar castanholas". Existe até hoje naquela região onde existe grande quantidade de negociantes de automóveis, e nada mais é do que chamar a atenção de quem passa com seu "possante", para o fato de que eles estão ali para comprar os veículos. Em geral acompanhado de um grito… Vende a "jóia?".
As recordações desta época e destas viagens são muitas.
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