O Farolete do espanhol João Moreno

Juan Moreno Sanchez nasceu em Alfarnate em 1901, uma pequena vila de Málaga – Espanha. Veio para o Brasil no início do século XX e constituiu sua família. Apesar de desejar jamais retornou para seu país. Aqui passou a ser chamado de João Moreno, ou Roanico (J se pronuncia R aqui no Brasil).<br><br>Sua descendência é grande, 40 netos entre os quais um era especial, justamente o neto do seu primeiro filho. O nome da criança era Silvio A. Moreno. Até hoje não se sabe ao certo o real problema do garoto, mas enquanto viveu teve muita atenção dos pais e especialmente dos avos. <br><br>Silvio tratava-se no Hospital das Clínicas em São Paulo, em horário matinal. A mãe não tinha opção, assim uma vez por mês caminhava a pé cerca de 7 km de madrugada para chegar do sítio até a estação de trem de Francisco Morato. Levantavam as 3h00 da manhã, a água do café se mantinha quente no fogão a lenha, em cerca de 20 minutos todos estavam prontos para sair. Era necessário partir rápido para não perder o primeiro trem que vinha de Jundiaí.<br><br>A nora com seu filhinho no colo caminhava com passadas constantes, nas subidas com menos freqüência, na descida….para compensar o tempo….agilizava. O amor sobressaia ao peso da criança em seus braços.<br><br>O sogro João Moreno a acompanhava até a estação. Ele já era um idoso, mas nem parecia. Além de ser o guardião daquelas duas criaturas, nas madrugadas, ele tinha uma grande missão: iluminar o caminho, especialmente porque poderia haver alguma cobra ou buraco na estrada.<br><br>Ele seguia com seu farolete a pilha iluminando o caminho para a nora. De testemunhas na estrada somente a brisa, os passarinhos, algum animal que ocasionalmente encontravam pelo caminho. Quando a nora e o neto adentravam no trem, João Moreno se sentia aliviado por mais uma missão cumprida. <br><br>João Moreno e o seu farolete iluminaram o caminho para a nora e o netinho somente até 1972. João Moreno era alérgico a um determinado medicamento, em função de um engano internou-se em um hospital para uma simples operação e morreu de infarto do miocárdio. Alguns anos depois o netinho também faleceu.<br><br>E o farolete permanece guardado como recordação. <br><br><br>E-mail do autor: [email protected]<br><br><br><br><br>