Na USP, durante muitos anos a gente soltava as pipas durante os fins de semana. Pipas costuradas em nylon e outros tecidos. Vivíamos fazendo testes e novas experiências com projetos que a gente bolava.
A turma da pipa se encontrava e mesmo sem vento o assunto desenrolava na tarde inteira, era muito divertido. E esses fins de semana eram sempre esperados com ansiedade.
Numa ocasião em 94, a pedido de minha filha fiz uma pipa polvo, era inflável, sem estruturas e com 8 metros de comprimento. O cabresto era complexo com 20 pontos em diferentes apoios. Comprei um tecido tipo nylon sem resina e muito fino. Costurei o polvo e coloquei dois grandes olhos brancos com pupilas rosa.
O bichão ficou pronto. Levei uma tarde na cidade universitária e depois de alguns ajustes no cabresto ela subiu muito bem, ficando bastante estável numa altura de uns 150 metros, de repente o Adhemar fala:
– Pedro, que está acontecendo com as pernas do polvo? Elas estão encolhendo, preste atenção.
Olhei e de fato as oito pernas do polvo, que ficavam batendo no vento como se ele estivesse nadando na água, estavam encolhendo!
Foram diminuindo, diminuindo e sumiram…
O corpo do polvo tinha uns dois metros e as pernas seis metros, e cadê as pernas? O polvo perneta foi descendo, e em pouco tempo estava no chão. Eu e o meu amigo nos aproximamos para desvendar o mistério das pernas sumidas. Era um grande embaraço, nunca tinha visto isso.
As pernas que eu construí com material muito mole, sem resina, ao ficar tremulando no vento, foi dando um nó atrás de outro e as oito pernas deviam estar amarradas com duzentos nós.
Cheguei em casa e troquei as pernas, por material resinado mais duro e mais liso. Deu certinho, meses depois participei de um campeonato de pipas com ele no Ibirapuera, e ganhei o primeiro premio de originalidade.
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