Como é linda e deliciosa a vida

Há sessenta e sete anos que estou nesta cidade maravilhosa, capital do mais brasileiro dos seus estados, pois é daqui, desta cidade, que saiam os bandeirantes que conquistaram este grandioso território sobre o qual vivem cento e noventa milhões de pessoas.

Quando eu aqui cheguei, no dia 7 de fevereiro de 1942, na Maternidade de São Paulo, a cidade era pequena mas progressista. Já brilhava no cenário mundial, possuía lugares e coisas de causar inveja ao mundo.

Orgulhosamente é aqui que me criei, eduquei-me e vivi. Freqüentei escolas, brinquei até os meus 14 anos, quando então comecei a trabalhar, ajudando o vovô Felicio, que me criou, na raspagem de tacos e assoalhos para aplicação de Synteko ou Cascolac, que era um acabamento plastificado, à fim de poupar o trabalho das donas de casa, na limpeza e polimento dos pisos domiciliares e limpeza com uma solução com ácido muriático dos pisos cerâmicos.

Nessa época a minha tia caçula, a Esther, já havia se casado com o Germano, alemão que trabalhava na Neorex, fazendo instalação de alarmes contra roubo em residências e bancos. 0 serviço era pesado.

O Germano, filho de um graduado da Volkswagen, achou por bem levar-me até lá e pleitear uma colocação para mim.

Eu, graças ao meu esforço e aos meus avós, era estudante já do curso científico, que era o pré superior na época, logo fui admitido. Estávamos no dia 1º de março de 1960.

Enquanto eu lá trabalhava, eu vivia a vida, estudei Direito, formei-me, constitui um patrimônio de sabedoria que eu considero suficiente para viver e me relacionar digna e honestamente.

Em 31 de dezembro de 1990 eu deixei a Volkswagen e me aposentei porque eu já havia me tornado um deficiente físico em conseqüência da esclerose múltipla da qual sou portador.

Depois de tudo o que fiz, aconteceu, vivi, passei e sofri, eu fui e sou feliz porque o milagre da vida é lindo e delicioso, ainda mais vivendo na minha São Paulo onde tudo o que se quer e/ou precisa é encontrado.

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