Estádio Municipal do Pacaembu

Dizem que um dia o prefeito Prestes Maia, passando bairro do Pacaembu, viu aquele vale, um local sempre alagado pelas chuvas e onde a terra preta fazia um poeirão na estiagem. Isso trouxe a sua mente que ali era um local ideal para se construir um estádio de futebol, tão reclamado pela população que até então tinha o Parque Antártica como o único estádio de futebol para a prática do esporte bretão.<br><br>Engenheiro que era, Prestes Maia vislumbrou dois morros, um à frente do outro. E no meio um terreno plano. A medida certa para se fazer um estádio. Nos morros era só fazer os degraus, e as arquibancadas estavam prontas. Bastava apenas fechar a frente arredondada, em concreto armado, e pronto. E assim foi feito.<br><br>Um enorme portão que posteriormente os locutores esportivos batizaram de portões monumentais. Mas o estádio não seria somente para as atividades de futebol. O atletismo também estaria presente e seus atletas também desfilariam. <br><br>E, em volta do campo de jogo, foi construída a pista de atletismo. Oito linhas a toda volta dos 400 metros em forma circular, com um fosso d´água na curva de onde se localizavam a gerais (chamada de populares), era o obstáculo às corridas de tal modalidade.<br><br>Dias depois da corrida de rua de São Silvestre, o estádio do Pacaembu recebia os atletas para as varias provas de pista, e o estádio de Pacaembu ficava lotado, para ver os grandes atletas que participaram da São Silvestre, como aconteceu em 1953 com a "locomotiva humana", o Tcheco Emil Zatopek. <br><br>Em 1958, com o argentino Osvaldo Suares, e o belga Gaston Roelants nos anos 1960.<br><br>Fora as atividades esportivas o estádio também receberia espetáculos musicais ou teatrais. Para tanto foi construída uma enorme concha acústica para evitar que o barulho viesse a perturbar a vizinhança.<br><br>O estádio já era uma coisa de felicidade para o povo que acompanhava sua construção, mas os oposicionistas achavam que o prefeito estava gastando dinheiro a rodo. E as críticas eram assim. Para que um estádio tão grande para a população que temos?<br><br>A resposta de quem sabia das coisas vinha com muita naturalidade. Ele pode ser grande hoje, mas num futuro não muito distante ele será muito pequeno. <br><br>Em dezembro de 1964, portanto 24 anos depois de sua inauguração, o comentarista esportivo Mauro Pinheiro, da Rádio Bandeirantes, dizia, num Santos 7 x Corinthians 4, que o estádio do Pacaembu era uma caixa de fósforos.<br><br>O nome Pacaembu veio pelo fato de o estádio estar no bairro que tinha esse nome. Porém, em 1958, em homenagem ao chefe da Seleção Brasileira de Futebol, que foi campeão mundial na Suécia, o nome do estádio passou a se chamar Paulo Machado de Carvalho. Mas o nome fica somente na fachada, pois o povo prefere chamar de Pacaembu.<br><br>Esse estádio passou por várias reformas, em 1957 o Pacaembu era um verdadeiro charco, o estádio ficou fechado por algum tempo. Já em 1959 foi a iluminação que teve que ser reformada, o que forçou o super campeonato entre Palmeiras e Santos, que haviam terminado o campeonato empatados, para uma disputa em três partidas.<br><br>Por falta de iluminação foram realizadas nas tardes de terça-feira, 1×1, na tarde de quinta-feira 2×2 e no domingo 2×1 para o Palmeiras.<br><br>Nos anos 1980, novamente o Pacaembu foi usado para um show de música com o cantor e autor de o Fuscão Preto fazer miséria com o Fusca dessa cor, em pleno gramado num dia chuvoso, e o estádio foi fechado mais uma vez. Em outra oportunidade uma prova de motocross, com seus promotores prometendo refazer o gramado.<br><br>Mais uma vez se falou em nova reabertura, e foi num sábado de 1984, num jogo entre Palmeiras x São Paulo, um jogo em que todos que fossem com uma camisa amarela não pagaria ingresso, uma gentileza das pilhas Evereard, as amarelinhas. Nesse jogo de reabertura o Palmeiras ganhou de 1 x 0, gol de Carlos Alberto Borges.<br><br>A reforma que mais marcou negativamente foi em 1969, quando outro engenheiro, digamos o oposto de Preste Maia, se mostrou relapso ao demolir a concha acústica para dar lugar a uma arquibancada e aumentar o público. Foi um crime cometido ao estádio, operando um órgão de suma importância ao corpo do Pacaembu.<br><br>A própria vizinhança veio dizer que com a concha acústica não se ouvia tanto barulho vindo dos potentes auto falantes, quando Jota Domingues, o locutor dos anos 1950, anunciava: O posto de serviços Esso, de Francisco Zambrana, informa: escalações das equipes. A cada nome anunciado, um uníssono assobio era feito pela torcida.<br><br>O Pacaembu era bonito e gostoso de se ver. Chegou a receber 72 mil pessoas num jogo. Foi na estreia de Leônidas da Silva em 1942.<br> <br>O público vinha chegando e entrando. E o alto falante pediu para que os espectadores ficassem de pé para poder acolher todos os que estavam entrando. Por esse motivo que recebeu tanta gente. <br><br>Eu vi num jogo entre Palmeiras e Corinthians, numa quarta-feira da Semana Santa de 1960, 65 mil expectadores no estádio. Olhando aquilo fiquei imaginando como não seria com aqueles setenta e dois mil de 1942.<br><br>Foi o Pacaembu o palco de grandes espetáculos, sempre num ciclo de determinados clubes. Foi os anos 1940 predominantes do São Paulo F. C., uma verdadeira máquina de jogar futebol, tendo o Palmeiras quebrando suas séries de campeonatos, como aconteceu nos anos de 1945-46, e 1948-49, tendo o Palmeiras quebrado duas vezes o tri sãopaulino, em 1947 e 1950.<br><br>Já nos anos 1950 até sua metade, foi o Corinthians o dono de fortes emoções no Pacaembu, sendo o ano de 1954 o maior ano do Corinthians, quando levantou o campeonato do IV centenário da cidade de São Paulo, num luta titânica com seu arquirrival Palmeiras até a penúltima rodada, quando empatou com o alvi verde, aquele dia com a camisa azul, com medo da macumba que podia estar em cima da camisa verde.<br><br>Daí em diante os anos 1950 tiveram um estranho a se meter no meio do trio de ferro, foi o Santos, que a partir de 1955 foi campeão, repetindo em 1956, voltando a ser campeão em 1958. E seus títulos interrompidos pelo São Paulo, 1957, e Palmeiras, 1959.<br><br>Nos anos 1960, foi quase de ponta a ponta do Santos que foi. Bi campeão, e tri campeão por duas vezes. 1960-61-62, 1964-65, 1967-68-69. Interrompido pelo Palmeiras, em 1963, 1966.<br><br>A partir dos anos 1970, com o estádio do Morumbi totalmente construído, o Pacaembu passou a ser uma opção e usado mais pelo Corinthians, já que os demais clubes têm o seu estádio.<br><br>No início deste ano de 2008, teve mais uma reforma, talvez a melhor reforma de todos os tempos. Porque não foi somente o gramado a ser reformado, e sim todo o estádio, até mesmo as infiltrações de sua cobertura foram corrigidas. E a iluminação de primeiro mundo. O gramado como nunca se tinha visto. Uma grama diferente daquela grama chamada de Batatais. Uma grama miúda que deu gosto de ver, agora sim a bola passou a rolar de verdade.<br><br>———————–<br><br>Nota de esclarecimento:<br><br>Estou recebendo e-mails de pessoas curiosas para saber por que me chamam de “TOMATE” no site São Paulo Minha Cidade. Essa denominação vem do meu sobrenome, LOPOMO, e geralmente por pessoas descendentes de italianos. LOPOMO, "POMO", sugere POMAR, plantação, que pode ser uma plantação de TOMATES, vide a embalagem da massa de tomate POMODORO, que tem tomates na foto da caixa. Isso me foi dito por um homem estando a meu lado no guichê de um banco na década de 70, quando ouviu o caixa citar meu sobrenome. Para mim soa como um chamado carinhoso e amistoso por parte dos amigos.<br><br>e-mail do autor: [email protected]