A papelaria da Ruth

Quem morava perto da Piratininga comprava material escolar na papelaria Ruth, que ficava na Monsenhor Andrade, na lateral da igreja do Brás.

Minha tia me pegava pelo braço, à tarde, depois de lavar a louça do "armoço", com as listas na mão, minha e do meu primo.

– Não pede nada, hein? Vamos buscar só o que está na lista.

Era uma loja escura, com poucas lâmpadas, para economizar luz, balcões de madeira, e atrás dele ficavam sr. Flavio, esposa e a filha Ruth.

O material todo ficava em vitrines e prateleiras altas e só eles tinham acesso.

Aí começava o inferno. Calculem que para um material básico você levava de três a quatro horas para comprar, pois você pedia dois cadernos, ele ia devagar até a escada, pegava na prateleira, voltava, marcava o preço.

Lápis de cor, ele ia até lá e o procedimento era o mesmo, pra todos os itens.

A loja super lotada, não havia escolha de capas de caderno, quase todos eram de brochura, com gatinhos, ou escoteiros. Estojo de latinha, régua de madeira, lápis preto Faber, e por aí vai.

Depois de muitas horas, pagava-se à vista, claro e íamos contentes embora para encapar o material de papel azul escuro ou vermelho, com etiquetas.

Era muito bom tudo isso… ninguém era melhor do que o outro. Todos nós estudávamos, pois o medo de repetir de ano era grande…

Havia respeito pela escola e pelos professores.

Um grande baccio a tutti.

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