Durval e Dirceu eram dois amigos de infância, inseparáveis, e fanáticos por futebol, além da mesma crença religiosa, eram "Espiritas Kardecistas". Durval, homem extremamente educado e generoso, mas chegara a perder grandes amizades com discussões de futebol.
Todos finais de semana jogavam futebol, nos clubes da zona leste, casados vs. solteiros, peladas na graminha da Alcântara Machado e nos rachas dos campinhos da Várzea do Glicério.
Já adultos jogavam no Máster do Madri F. C., antigo time de várzea do bairro da Mooca.
Após uma dessas partidas confabulam, e Dirceu indaga o amigo:
– Durval, o que iremos fazer quando morremos? Lá não há futebol.
– Não sei, seria algo muito triste e enfadonho. Responde Durval.
Por infelicidade, após meses, morre um deles num acidente. Dirceu é atingido por um raio numa partida de futebol, de intensa chuva e trovoada.
Durval entristeceu-se com a falta do amigo. Pouco se alimentava, andava melancólico e afligido. Parou de jogar futebol.
Após meses, e insistentes convites do seu irmão René foi consultar-se com Dona Teodora, senhora que comandava sessões espíritas, todas as sextas-feiras na Rua Carneiro Leão.
Mesa Branca colocada no centro da sala, copos d'águas e flores. Iniciam o ritual com a abertura, rezas e orações. Várias entidades são incorporadas, dão a palavra e retiram-se imediatamente.
Durval permanece cabisbaixo orando. Nisso alguém incorporado, diz em voz bem baixa, balbuciando:
– Durval, Durval… é o Dirceu…
– É você mesmo, Dirceu? – Pergunta Durval.
– Sim, estou no céu, e tenho duas notícias para te dar, uma boa e outra ruim.
– Qual é a boa?
– Aqui no céu se joga futebol, e além de tudo muito bem.
– Maravilha! Estupendo! E a má noticia?
– Domingo próximo tem jogo e você esta escalado…
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