Em 1964, meu pai precisava resolver alguns assuntos na Praça Clóvis e me levou com ele. Não era normal que isso ocorresse, porque ele morria de medo de nos levar ao centro da cidade onde, segundo ele, havia muitos bandidos e o trânsito era intenso.
Naquele dia, quebrou a regra e nos levou. Eu e minha irmã, Lourdes.
Depois de resolver o assunto – algo ligado à aquisição de um terreno em Santo André – fomos dar uma voltas. Lembro que estivemos na escadaria do Teatro Municipal, entramos no Mappin, na galeria do Adhemar (que o povo não chamava bem de galeria) e na Praça Ramos. Acho que essa praça – talvez por ter o mesmo nome que o nosso – foi o que mais nos marcou. Lembro que havia muitos gatos; uma quantidade enorme de gatos.
Depois, caminhando mais um pouco, tomamos um sorvete (se não me engano comi uma coxinha muito boa) no Café Copacabana.
Este passeio ficou muito forte em minha lembrança ainda que não tenha acontecido nada demais. Acho que estas pequenas coisas que nos acontecem, sem que tenha havido nada de especial, são aquelas que mais doem porque são nelas, nestes momentos bons de ternura e paz, que mais inteiros nos aparecem aqueles a quem amamos e que já se foram. E isso dói tanto!