Mãe é mãe

Todo mundo sabe dessa verdade. Mãe é mãe. Só mãe mesmo para fazer as coisas que ninguém mais faria.

Aqui vai uma historinha para ilustrar esta verdade.

Tenho uma prima que é uma super mãe, criou os filhos sozinha porque enviuvou muito cedo, levantando junto com o sol para fazer os lanches das crianças, deixar o jantar pronto, e ainda levar os quatro filhos para a escola (de ônibus, nem carro ela possuía) antes de chegar ao grupo escolar onde era professora.

Às duas e meia da tarde pegava os filhos na escola, lavava toda a roupa, preparava os uniformes para o dia seguinte, limpava a casa, dava o jantar a todos e ainda ajudava com os deveres das crianças.

Frequentemente só conseguia ir dormir bem tarde, mas no outro dia, cinco e pouco da manhã já estava de pé. Hoje três dos seus quatro filhos são formados, estudaram piano e violão, uma das meninas faz doutorado em Campinas, a outra dá aulas de balé, um dos rapazes é advogado e o mais novo já está quase se formando em música.

Esta historinha é sobre o filho menor, o Zé, quando ele tinha uns dezesseis anos.

Quando minha prima morava perto da Praça da Árvore o Zé fazia o cursinho para a faculdade perto do metrô Paraíso. Uma tarde, lá pras seis horas, ela recebeu um telefonema dele, desesperado.

– “Mãe, estou precisando da sua ajuda urgente”, disse ele pelo seu celular.

– “Mas o que aconteceu, meu filho?”

– “Mãe, você não vai acreditar. Eu estava entrando no cursinho quando me deu uma dor de barriga daquelas. Eu nem tive tempo de correr pro banheiro dos homens. Sabe onde eu estou? O banheiro das meninas estava mais perto e eu estou aqui dentro.”

– “Sai daí, então, meu filho, o mais rápido possível”, diz a minha prima.

– “Não posso”, diz o Zé.

– “Como, não pode?”

“Não tem papel. Mãe, traz um rolo de papel higiênico pra mim”.

Minha prima então pega o rolo de papel e põe numa sacola, e vai enfrentar a hora do rush no metrô até a estação Paraíso. Estava chovendo forte, uma tempestade daquelas de São Paulo em fim de tarde, e lá foi ela enfrentando o tráfego, a água das ruas, até o Cursinho, onde conseguiu encontrar o banheiro das meninas que por sorte estava vazio, a não ser pelo Zé sentado no último cubículo. O rolo de papel foi jogado por cima da porta.

Enquanto ele resolvia o problema lá dentro, algumas meninas entraram no banheiro e tentaram a porta fechada. Minha prima não teve dúvidas: avisou que aquele banheiro estava interditado e, para dar mais crédito às suas palavras, pegou uns panos que encontrou ao lado das pias e começou a fazer uma limpeza, como se fosse a faxineira! As meninas entraram em outros banheiros e logo foram embora, e uma delas ainda comentou:

– “É, deve estar entupido, pelo cheiro.”

Logo que elas saíram minha prima avisou o filho que a costa estava livre e o Zé saiu correndo dali.

Eu não disse que mãe é mãe?

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