Meninota vinda do interior para São Paulo de carro, só achava que estava chegando na capital quando via o gato branco equilibrando-se no telhado tentando pegar duas pombas, naquela casa estilo europeu de tijolinhos da Avenida Rebouças. Um gato de cerâmica branca, bonito no seu pulo gracioso de caçador, tentando pegar as pombas.
Um belo dia, já adulta, morando em São Paulo, passo pela Rebouças e fico muito brava, o gato tinha sumido… A casa, até então uma residência, tinha se tornado comercial e agora abrigava uma loja de seguros do Bradesco.
Senti-me amparada quando, naquela semana, o Inácio Loyola de Brandão publica uma crônica no Estadão, "Cadê o gato", engrossando a minha queixa. A família antiga proprietária da casa ante a crônica até deu satisfação, dizendo que o gato estava bem abrigado no telhado da casa de campo no interior.
O Bradesco, acho, que, atendendo a reclamações, colocou um outro gato branco no telhado com as pombas, mas faltava-lhe o garbo do seu colega, a pose de dançarino, era magrinho e muito sem graça. A troca não compensou, não era o meu gato.
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